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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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27
Mar07

O Destino do "Não Sei"...

Little Miss Sunshine

Não sei se é a pressão do trabalho da Universidade (talvez por ser o último ano e este estar quase a acabar), ou se é o facto de ter mudar de casa (outra vez) em Junho... Mas tenho andado mesmo a passar por dias de existência um bocadinho negros.

Às vezes gostava de saber o que é que o destino tem reservado para mim, só mesmo para me preparar psicológicamente para o que aí vem, para o desconhecido que eu detesto tanto. Não tem sido fácil conviver com o facto de que daqui a uns meses vou ser licenciada e que ainda não tenho a mínima noção do que quero fazer depois disso.

Já pensei em me mudar daqui, tenho mandado CVs para  programas de especialização para graduados, em várias multinacionais domiciliadas nos Estados Unidos, India, UK e Portugal. Não sei se vai resultar em alguma coisa, mas se resultar em algo eu vou onde o vento me levar... e o meu gajo já me disse que vai comigo!

A pós-graduação vai ter de esperar uns mesitos, porque eu não estou para pedir empréstimos a bancos, e não consegui poupar assim tanto que dê para começar já em Setembro o Mestrado. Eventualmente, sei que o farei. Até pode ser que os ventos me levem para outros lados distantes e eu acabe por fazer o mestrado em outro lado qualquer.

As férias também estão à porta, mas este mês que aí vem vai ser complicado, uma vez que vou ter de fazer a tese sobre Pearl Harbour num mês, e são 10,000 palavritas. Não estou nada motivada. às vezes penso que faço de propósito... deixar tudo para última da hora.

Mas a verdade é que sinto que o tempo me escore por entre os dedos das mãos e que os dias passam a correr, sem no fim eu poder dizer que realmente foi um dia de (re)começos. Ando tipo barata tonta, meia perdida num universo Inglês que me parece mais paralelo a mim que outra coisa.

Já não me sinto parte integrante desta sociedade, porque esta sociedade não me dá luta, não me espevita a curiosidade nem tão pouco me oferece desafios... Ontem na apresentação perguntaram-me se o facto de eu estar tão ligada à internet me isolava das pessoas. Eu respondi que sim.

O que eu acho fascinante na internet? É que tu podes ser quem quiseres, dás-te a conhecer como queres, a percepção de ti na Internet é aquela que tu decides ter. Na minha vida eu nunca tive a oportunidade de ser eu mesma, e na internet eu sou eu própria - sem esquemas.

Na internet não tenho medo que me julguem só porque pus uma saia de riscas com uma camisa de quadrados. Na internet não me podem bater só porque eu digo que fulana tal é uma idiota. Na internet ninguém me rejeita, e apesar de ser um mudo virtual, eu sinto que esse mundo faz parte da minha vida da mesma maneira que o mundo real...

Com um senão... No mundo real as pessoas que te magoam, que te humilham, que te usam estão constantemente a cruzar o teu caminho. No mundo real, essas pessoas geram um circulo vicioso à tua volta, pisam a tua auto-estima sem que nada possas fazer.. e no fim acabas sempre a pedir-lhes perdão... No mundo virtual, se não me interessas, posso desligar a aplicação, afastar-te do meu mundo com o clique de um botão...

A vida é assim mesmo, cheia de escolhas, e a verdade é que eu não gosto de mim - como aliás admiti na sala de aula após ser confrontada com uma série de criticos da Internet. Como não gosto de mim, sempre me achei a pior das espécies, indigna e sem merecer ninguém decente. Porque eu não gosto de mim, passei a minha adolescência a recolher sonhos e fantasias, ao mesmo tempo que era gozada e maltratada pelos meus colegas de escola.

Sempre vi o melhor de tudo, até que o "tudo" me tirou o melhor de mim. E nestas alturas de parca mas franca tristeza, olho para este quadro de contradições e pergunto-me se alguma vez, mesmo que de forma ténue mas inequívoca, se alguma vez me poderei considerar uma pessoa de valor... Só porque luto tanto para atingir os meus objectivos, não deveria ser considerada digna de mérito...

Porque mérito têm aqueles que nada têm para comer mas que continuam a existência deles com um sorriso nos lábios...

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