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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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24
Mai07

Laços...

Little Miss Sunshine

Se há coisa que mais fazemos nesta vida, então essa "coisa" é criar laços. Onde quer que andemos, o que quer que façamos, a verdade é que passamos a vida a criar e a desfazer laços de amizade, de amor, de mano para mana, de mana para mano, de trabalho...  Há laços que ficam pelo caminho, esquecidos. Outros que de tão fortemente atados, só sobreviveram quando se partiram.

 

Desses laços nascem histórias. Paralelas, entrecruzadas, On & Off, indiferentes à nossa própria ignorância dos factos, das pessoas. Um pouco como uma janela. Estas histórias abrem e fecham ao sabor do destino.  Como se fossemos parte de um puzzle infinito de possibilidades, como sair do metro. Estamos rodeados por estas pessoas desconhecidas, que um dia poderão a ser pessoas chave na nossa vida, e nesse instante passamos por elas, ignorando a possibilidade ínfima de um dia nos reencontrarmos numa diferente perspectiva.

 

E depois do reencontro, formamos núcleos de possibilidades infinitas: as famílias. Compomos uma orquestra de vários instrumentos e esperamos que essa orquestra toque afinada no final. Mas a realidade é que por mais que ensaiemos o dó, ré, mi, há-de haver sempre um instrumento que segue um ritmo diferente, uma nova vida, com novos laços, novas histórias e novas famílias.

 

Criamos expectativas e vivemos de acordo com os nossos ideais, sem no entanto nos apercebermos que os nossos ideais são muitas vezes anulados pelos ideais de outros. Já o meu pai me dizia em tempos de adolescente que a nossa liberdade termina quando começa a liberdade dos outros.

 

E depois vêm os sentimentos de culpa ou de raiva, a dor de cotovelo ou a frustração de ver aqueles que nos magoaram melhores que nós. Descredibilizamos as nossas capacidades por acharmos que não atingimos os objectivos - deles, não os nossos. O Paulo casou, a Joana está grávida... e olhamos para nós, temos um copo de àgua em cima da mesa e nem sequer sabemos se está meio vazio ou meio cheio.

 

As nossas qualidades não devem ser medidas pelo que outros fazem, mas sim no nosso próprio mérito e desenvolvimento pessoal. Mas vão-me lá dizer isso a mim! Rio-me na vossa cara. É fácil falar - sim, eu sei. Mas mais fácil é admitir que pelo facto de ter deixado outros voar a minha vida atingiu uma plataforma de esforço e garantia muito aquem daquela que me esperaria se me mantivesse fiel às minhas raízes, às minhas escolhas iniciais.

 

Faz tudo parte do processo de aprendizagem que é esta vida. E tudo se resume à forma como nós atamos os laços da nossa vida àqueles que nos rodeiam. O que ficou para trás já não volta mais, a janela fechou e o metro ficou deserto de repente. Nessa altura, se abrirmos os olhos, fácilmente reparamos que não estamos sós. Há sempre uma ou outra pessoa que está atada a nós de tal maneira que nem os puxões do dia a dia destroem esse laço. Basta abrir os olhos. Até aqui foi sempre aos apalpões no escuro. Agora vai ser diferente.

 

Um dia... eu vou reencontrar-te.

 

... mas para já vou vivendo a minha vida e aprendendo com aquilo que o destino me vai dando. Se é amor?... Não sei... Mas pode ser.

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