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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

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22
Jul07

Domingo de Sol

Little Miss Sunshine

Hoje o sol brilha, pela primeira vez em muitas semanas. A temperatura está amena e apesar de haver muita nuvem a viajar pelo céu azul, a verdade é que elas vão depressa, depressinha, para longe. Mas como este tempo anda maluco, o mais certo é chover logo a noite - aqui, nunca fiando.

 

Amanhã começa a minha contagem decrescente para voltar a casa. Vou passar duas semanas a torrar ao sol, não quero saber! Desde a Páscoa que não sei o que é Primavera ou Verão e, muito sinceramente, estou mesmo a precisar de levar com sol na moleirinha.

 

Sempre ouvi dizer que nos países onde o sol brilha mais há muito mais optimismo, mais alegria de viver. A verdade é que nos três anos de vida Britânica que tive até agora, pouco ou nada vi do sol - tirando talvez o ano passado, em que o nosso Verão foi mesmo do melhor... Assim sendo, ando casmurra, irritadiça, aborrecida, desanimada e deprimida.

 

Preciso mesmo de umas férias boas para retemperar as energias, assim como foi em Março, quando o mais que tudo foi visitar a minha terra. Desta vez, o mais certo é ele ficar em terra. Discutimos todos os dias porque mais uma vez ele pediu a renovação do visa demasiado tarde, e agora está sem passaporte... Pior ainda, dia 25 tem reunião no consulado português para ir buscar o visto, e sem passaporte não há visto que lhe valha.

 

A culpa até nem foi dele, porque ele queria que a carta para o mestrado viesse mais cedo, e a oferta viesse incondicional. Mas, para variar, e para testar os meus nervos, veio tudo atrasado e a más horas, com condições absurdas e chatices pelo meio. Agora temos de esperar, e o pior é que não podemos fazer mesmo nada para acelerar o processo.

 

Caso o passaporte do Senhor Despistado não venha esta semana, está tudo estragado e lá vou eu ter de me enfiar num avião SÓZINHA, que - como já é do conhecimento geral - é do pior que me pode acontecer. E depois, mesmo que o Senhor Despistado venha para Portugal na semana seguinte ou assim, é muito chato, porque se perderam 200 libras de uma passagem, o que significa que na totalidade o senhor mais que tudo paga por ir a Portugal à volta de 400 libras ou mais (conmtando com as 200 que se perderão).

 

Mais, daqui a 2 semaninhas é o meu aniversário. Vou ficar um aninho mais velha... O que quer dizer que se o Senhor Despistado não vier antes dessa data, eu estou lixada, porque o meu gajo não vai festejar os meus 29 aninhos comigo. Conhecendo-me como me conheço, caso isso suceda, então a relação que nos une há um ano vai ter um final muito cruel, porque eu nunca mais lhe dirigirei palávra!

 

Que nem é muito diferente daquilo que se passa agora. A casa é grande e não é que o gajo agora resolveu fazer do quarto ao lado o quarto dele? Não dorme lá, mas deposita lá tudo o que é roupa lavada e suja, tudo enrodilhado, a um canto!!! E quando chega a casa a primeira coisa que faz é agarrar-se ao telemóvel ou ao computador, nem ai nem ui - a não ser que tenha fome, aí já argumenta, com voz de realeza: 'O que é o comer?'

 

Honestamente, às vezes parece-me que esta relação é muito ao estilo da relação que os meus avós tinham. Não sei se é parecida com a dos meus pais, porque não tenho muitas memórias de os ver assim juntos em casa. Quando estavam juntos íam sempre ao café, ou buscar o jornal, ou às compras - e eu geralmente ficava sempre em casa! Mas a relação dos meus avós era diferente. Viveram a vida toda juntos, mas a relação era muitas vezes uma relação de amor/ ódio. Como eles se aguentaram tanto tempo juntos é um mistério para mim...

 

Mas os tempos eram diferentes, e se agora um casamento pode durar tanto como um dia, antes isso não era sequer pensado, quanto mais admitido. Se bem que o meu mais que tudo não tem o dom da bebida, a verdade é que ele me irrita muitas vezes com a sua carinha de anjo, como se não soubesse daquilo que apronta.

 

Eu espero que ele me ame, mas também que me ajude e muitas vezes eu tenho de pedir quase aos berros, e 'n' vezes por semana que ele mantenha as coisas mais ou menos organizadas. Não lhe peço para cozinhar, não lhe peço para lavar a roupa, ou limpar o pó, ou mesmo para passar a ferro... Mas ele também não ajuda a manter limpo.

 

E não desliga as luzes, não fecha as portas, enfim - se não fosse eu, esta casa já se tinha tornado numa grandessíssima badalhoquice organizacional! E depois é assim: não me leva a lado nenhum, passamos o dia em casa, o único sítio a que vamos é mesmo ao ginásio. Depois trabalha que se desunha - o que enfim, é até uma qualidade bastante boa - mas os horários dele não condizem com os meus e muitas vezes estou para aqui em casa abandonada por horas a fio, muitas vezes altas horas da noite.

 

E não é que tenha medo, só que custa-me estar aqui sem ninguém para falar. Não é que eu seja um poço de sociabilização, porque eu também tenho as minhas lacunas, só que faz-me falta ter barulho em casa. A minha gata faz a parte dela, o que já não é mau - isto se ela não me puser de coração aos pulos e olhos esbugalhados a cada vez que salta das escadas para a entrada.

 

Sei lá, pensava que uma relação a dois era fantástica, cheia de magia e de borboletas no estômago, cheio de afectos e ternurinhas e muita ligação física. Isto porque o meu passado está cheio destas emoções. Agora, na vida real, onde há responsabilidades, preocupações e desgaste psicológico, onde é que fica o amor? Onde é que vai a paixão?

 

Porque eu e o meu mister eramos muito amigos, falávamos de tudo, eramos muito unidos. E agora só quero ser deixada em paz quando ele está comigo, mas quando ele está a trabalhar queixo-me que estou sózinha. Para não falar de que ultimamente embirro com tudo o que ele faz. Eu sei que sou fresca, mas ando mesmo desanimada com isto. E se ele não conseguir o passaporte a tempo, acho que a corda vai rebentar e que vou ser forçada a aceitar que desperdicei um ano da minha vida com alguém que me diz que me ama, que me promete mundos e fundos, mas que também já provou por A+B que não me coloca em primeiro lugar nas decisões que toma, e que não é capaz de ser responsável e eficaz, resolvendo os problemas que se acumulam entre nós de uma vez por todas e sem demora.

 

Bolas... Será que estou a pedir demais?...  

 

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