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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

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28
Jul07

Vésperas...

Little Miss Sunshine

Amanhã por esta altura estarei a caminho do check-in para largar as minhas malas! Mas enquanto essa altura não chega, tenho andado nos últimos preparativos para a partida. Isso inclui, obviamente, o ritual de fazer as malas, ritual aliás que, devo confessar, me irrita solenemente. Se há altura em que eu me sinto um animal irracional, é sem dúvida quando tenho de fazer as malas e tentar pôr tudo o que é importante na minha vida em duas exíguas malas de bagagem.

 

Entre aperta dali, e puxa de acolá, as malas parecem encolher de ano para ano. Ou isso, ou as roupas é que alargaram. Assim sendo, e considerando que metade da minha roupa de Verão ora me serve, ora não, passo à frente o facto de que engordei (mas também já perdi peso) e ainda assim ponho tudo nas malas, 'just in case.'

 

Sim, porque ir para Portugal significa andar muito na praia, nadar muito nas àguas gélidas mas tão nostálgicas de Sesimbra, a sauna diária de temperaturas acima dos 30º (aqui se passarem dos 22º, estou eu já cheia de muita sorte!), o peixinho grelhado todos os dias (e talvez uma abébiazinha para o choco frito do costume, porque meus amigos, ir a Portugal sem choco frito é o mesmo que ir a França e não experimentar o queijo regional - e esse, graças a Deus, ainda posso comer, apesar de ter de o fazer em pequenas e controladas porções, senão o colesterol dispara!

 

Hoje reservei o dia para as Indias. Depois de restaurada a relação 'carcomida' pela inactividade e falta de chá do consulado português em Londres, o qual com a sua 'excelente' capacidade para dar conta do recado, me privou da companhia do meu mais que tudo nestas férias a Portugal, decidi passar o dia em Wembley a dois, visto que durante duas semanas vou estar em terras lusas.

 

Só para que tenham noção de como este consulado trabalha, e tendo em conta que é a única entidade capaz de atribuir vistos para Portugal neste país,  nesta altura o consulado só está a aceitar pessoas para vistos em SETEMBRO, e o meu mais que tudo que foi lá de joelhos pedir POR FAVOR, acabou por ver os seus sonhos de férias idílicas com a sua princesa (isto é, EU), totalmente vetados porque 'não tinha uma entrevista marcada'.

 

Com agências a demorarem mais de uma semana e a cobrarem mais de 100 libras para resolver este problema 'burocrático' (e infelizmente, tipicamente Português, com grande pena minha que as influências britânicas aqui não foram suficientemente fortes para influenciar a operacionalidade do mesmo), depois de ter pago um seguro de viagem não reembolsável, e de ter marcado vôos pela TAP (e, por isso, nada baratos), goram-se as expectativas do moço (e as minhas), porque fizemos tudo bem, o consulado também, mas enquanto eles perderam nada, nós perdemos mais de 350 libras em despesas para coisas que nem sequer necessitamos, tudo em bom nome da legalidade.

 

Depois deste episódio que me levou à cama dois dias, e me deshidratou muitos mais, as pazes com o menino não tardaram e logo fui recompensada com uma prenda de anos adientada que muito me fez chorar - mesmo que esse choro de alegria fosse um disfarce para a minha decepção por ter de passar um aniversário sem o meu indiano querido.

 

E assim corre o dia, entre saudades antecipadas e vontade de matar certos seres (in)humanos que trabalham em certas instituições. Por causa deles as minhas férias não vão ter o brilho que teriam. Muitas vezes terei de ir à praia sózinha, muitas vezes terei de partilhar os meus pensamentos, alegrias e tristezas comigo mesma, porque apesar da família estar lá, o meu parceiro não estará, e a pele vai ficar queimada nas costas e muito vai ficar por dizer.

 

 

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