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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

15
Ago07

Um dia NÃO!

Little Miss Sunshine

Ontem foi o meu dia 'Não'. Mas ponham mesmo 'Não' nisso! Desde apanhar molhas infindáveis, não ter tempo para comer e ainda ter de me deslocar entre os meus dois trabalhos, mal podia acreditar quando caí na cama e as minhas queridas housemates nem sequer piaram, deixando-me dormir a sono solto até agora.

 

A noite anterior foi mesmo atribulada, com as minhas housemates a falarem alto até à 1h da manhã, com música pelo meio. Eu já tinha tido um ataque de choro convulsivo (porque parece que ultimamente é só mesmo o que sei fazer!) porque o gajo me disse que só devia de vir lá para a outra semana, e inconformada, deitei-me cedo e adormeci logo para ser acordada com música indiana e conversas ininteligíveis à meia-noite e meia e depois outra vez às cinco da manhã.

 

Eu, que tive de acordar às sete, já quase mal me sustentava de pé, para não falar num enjôo horrível desde que cheguei a este país e que me impedia de comer como deve de ser (mas hoje estou completamente boa, pois o pequeno almoço já foi todo). Lá me lavei e vesti, bebi apenas o meu sumo de toranja, e pus-me na alheta. Abro a porta da rua e cai-me tudo ao chão!

 

Um temporal que só visto. O céu cinzento escuro carregado e as pingas mais grossas que os meus dedos!!! Eu de casaquinho de ganga, estão a ver. A correr até à paragem mais próxima, que fica a cerca de 20 minutos de onde eu moro (tenho de fazer metade de duas avenidas principais para lá chegar), só para constatar que o autocarro expresso já tinha passado à cinco minutos, o que quer dizer que teria de ir no autocarro que demora uma hora em vez do que demora 20 minutos. Porreiro!

 

Almadiçoando os céus, lá apanhei a porcaria do autocarro, que estáva frio como o caraças porque uma menina ao meu lado se lembrou de abrir a janela porque segundo ela 'estava a ficar muito abafado' - o autocarro tinha meia dúzia de almas pingadas - Estão-me a gozar ou quê????

 

Gelada, encharcada e completamente desmotivada com o começo de dia, lá cheguei eu ao meu destino, com a barriga a dar horas. Como tinha tempo fui até ao Mac, onde pedi um café grande (bem precisava de uma dose extra de cafeína) e um baggle com Filadélphia Light. Menos mal.

 

A caminho do outro autocarro que me levaria até ao trabalho, sou novamente encharcada pela chuva que insiste em me deixar completamente consciente de que voltei ao Reino Unido. Não que eu precisasse de tal lembrete, afinal só o facto de regressar ao trabalho e de toda a gente se dirigir a mim nesta lingua anglo-saxónica é mais do que suficiente para me situar em espaço e contexto.

 

Lá cheguei ao trabalho, onde tinha montões de facturas para emitir. Demorei três horas a despachar aquilo, o que até nem é mau, considerando que estava com a pressão de ainda ter de fazer o caminho todo para casa e seguir depois para o outro emprego. Lá consegui fazer isso, e pelo meio ainda mandei o meu gajo à merda, porque para ele as coisas podem não estar bem mas ele também não faz nada para me ver feliz.

 

Não se decide quando chega da India, e pelo que me deixou transparecer não vai ser tão cedo, porque foi atrás de um empréstimo e já anda nisso há duas semanas e meia, sem garantias de quando lhe darão os cheques para que ele possa finalmente voltar. Eu, farta de tanta promessa, mas também tanto incumprimento das mesmas, lancei-lhe um ultimatum. Afinal de contas, sou gaja e estou carente, possa! Não vejo o gajo vai já para três semanas, e como já estava chateada com o facto dele ter sido um desleixado em resolver a legalidade do visto (facto que me levou a fazer as minhas férias e a passar os meus anos sem ele, com os prejuízos e percas inerentes a esse facto), mandei-o às urtigas.

 

Até quando, não sei, mas desde ontem que não lhe respondo a mensagens ou telefonemas. Estou farta! Regressei eu a esta casa, deixei eu a minha família e amigos, o meu cão, o sol português, a praia de Sesimbra,  para andar aqui pelos cantos à chuva e sózinha? Bardapiiiiiiiiip. Por mais que seja para acautelar um futuro, a verdade é que ele está nesta embrulhada porque pediu um empréstimo para o meu mestrado também, depois de na primeira semana eu lhe ter dito para pedir só o dinheiro para ele e por-se na alheta dali para fora.

 

Mas (mais uma vez) ele não ouviu e agora vamos ver as consequências. Por muito que eu ame o meu rapaz, a verdade é que eu estou à beira dos trinta não tarda (sim, eu sei que ainda agora fiz os 29, mas a contagem para os 30 já começou!), e a minha prioridade é arranjar um emprego estável e começar a construir a minha família. Eu não quero ser uma mãe velha, quero poder ser maleável o suficiente para acompanhar os meus filhos em tudas as fases das suas vidas sem que eles tenham constrangimentos em falar comigo seja do que for.

 

E quero ser mãe. O relógio biológico anda a dar de si. Fazer o mestrado significa adiar isso tudo por mais dois ou três anos, pois o ciclo de procurar emprego e assentar arraiais permanentes demora sempre entre um a dois anos. Mas o gajo não entende, porque afinal de contas ele tem 27 anos, e ainda tem muito que penar pela frente. O meu mal é ter saído sempre com gajos mais novos que eu. Se eles fossem mais velhos, se calhar nesta altura o meu futuro não estáva tão incerto... Mas no coração ninguém manda e eu então mando muito menos, porque apesar do coração ser meu, este por vezes parece tomar as rédeas de tal forma que quando dou de mim já estou numa embrulhada.

 

Enfim, hoje vou trabalhar. Pensar que o gajo amanhã podia chegar se não fosse a porcaria do banco indiano, que atrasa, molenga e não o deixa voltar para cá... Ou na sexta... Não vem, apesar de tudo aquilo que me disse e prometeu. Provavelmente só lá para segunda ou terça. Eu pela frente vou ter um fim de semana prolongado para passar sózinha. Sem dinheiro, não posso ir a lado nenhum. E o mês que se avizinha vai ser complicado, pois vou ter de me mudar desta casa, pagar renda na outra e ainda comer.

 

Como é que eu acabei neste estado? A minha vontade nesta altura é pegar em tudo o que é meu, vender, e ir-me embora. O curso já tenho e ninguém me o tira, e o Mundo é uma infinidade de possibilidades abertas a exploração. A verdade é que eu aqui não estou bem, nem feliz. E as decisões do Sid colocam em aberto a nossa relação para o futuro, porque é mais do que evidente de que para já ele não está disposto a pôr-me à frente da carreira dele ou mesmo de dinheiro.

 

Estes dias vão ser dias de análise para mim, onde passarei todas as opções a pente fino e onde chegará a altura de talvez tomar uma decisão para poder seguir em frente, mesmo que isso signifique deixar algumas coisas (ou pessoas) para trás em nome da minha felicidade e dos meus sonhos.

 

'Listen to the song here in my heart
a melody I start but can't complete

Listen to the sound from deep within
Its only beginning to find release

Ohh the time has come for my dreams to be heard
They will not be pushed aside and turned
Into your own, all 'cause you won't listen

[chorus]
Listen
I am alone at a crossroads
I'm not at home in my own home
And I've tried and tried
To say whats on my mind
You should have known
Now I'm done believing you
You don't know what I'm feeling
I'm more than what
You've made of me
I followed the voice, you gave to me
But now I've gotta find my own
You should have listened

There was someone here inside
Someone I thought had died
So long ago
Oh I'm screaming out
And my dreams will be heard
They will not be pushed Aside or turned
Into your own
All 'cause you won't listen

[chorus]
Listen
I am alone at a crossroads
I'm not at home in my own home
And I've tried and tried
To say whats on my mind
You should have known
Now I'm done believing you
You don't know what I'm feeling
I'm more than what
You've made of me
I followed the voice, you gave to me
But now I've gotta find my own
You should have listened

I don't know where I belong
But I'll be moving on
If you don't, if you won't

Listen to the song here in my heart
A melody I start, but I will complete

Now I am done believing you
You don't know not what I am feeling
I'm more than what you've made of me
I followed the voice you think you gave to me

But now I got to find my own - my own'

 

From 'Listen', sung by Beyonce

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