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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

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17
Ago07

Catástrofe Monetária!

Little Miss Sunshine

Estive para aqui a fazer as contas à vida, e estou mesmo enrascada. O gajo ainda está na India, os Euritos que o meu pai me deu pelos anos, com a inflação 'Sterlingiana'  tornaram-se em númerário com dezenas (quando em Portugal era às centenas), e acabei de receber os cálculos das finanças e vou receber de reembolso apenas 17Libras. Com uma mudança de casa iminente, renda para pagar, e o Mestrado a começar (sim, porque eu afinal vou mesmo fazer o Mestrado, o qual terei de começar a pagar já desde Setembro - e acreditem, não é nada de nada barato! 3,600 Libras ali, até dói!), avizinham-se tempos de fome. Sim, de fomeca.

 

A comer pão e leite, e com um pouco de sorte (e as reduções do ASDA ao fim do dia), alguma frutinha e alguns vegetais...

 

O gajo também está atado. Já pagou 2,000 Libras de entrada para o Mestrado dele, e agora ainda vai ter de pagar as restantes 6,000 Libras (porque estudantes fora da União Europeia pagam muito mais). O banco onde ele pediu o empréstimo queria que ele fizesse uma hipotéca sobre a casa, e estáva a demorar muito tempo a tomar uma decisão, por isso o pai dele ofereceu-lhe as suas únicas poupanças de uma vida inteira.

 

A condição é que o gajo mande uma percentagem de dinheiro todos os meses para a India, caso contrário, os pais dele passam necessidades (eles emprestaram ao filho e a mim o dinheiro todo das poupanças deles!!!! - sim, eu estou em estado de choque!).

 

 O que me atrofia é que eu sei que eles são capazes de fazer de tudo pelo único filho varão deles (ele tem mais uma irmã). Indianos como são,  podem estar a passar fome e necessidade mas nunca dirão nada ao filho, só porque o amam tanto que a felicidade dele lhes põe contentamento na barriga. E eu não quero tomar parte numa coisa dessas.

 

Mais, importante salientar que eles não trabalham, não é? Eu fui contra isto tudo, mas o gajo prometeu-me a pés juntos que eles não íam ficar mal na vida, e eu confiei relutante e dizendo que se pudermos, pagaríamos mais por mês aos pais dele, porque eu não quero sentir-me culpada se a vida se vira contra eles lá na India - afinal nós estamos aqui, e isto é muito longe de lá - como é que sabemos?

 

Por isso, depois do gajo conferenciar comigo (e de me convencer muito, muito bem...)  durante hora e meia ao telefone, traçarmos planos, fazermos cálculos, estudarmos limites e objectivos, lá decidimos aceitar e ele, se Deus quiser, vem já este Sábado ou Domingo, com o dinheiro dos Mestrados.

 

No entanto, por mais dinheiro que venha com ele, este está todo reservado para os nossos estudos de pós-graduação, o que não invalida a grande frase de 'estamos na merda' de ser dita com toda a sinceridade e verdade - nós estamos mesmo na merda!

 

Atados, sem podermos fazer absolutamente nada até regularizarmos a nossa situação daqui a dois ou três meses, e agora só com um emprego cada um ( e eu ainda estou em treino, por isso não me dão mais horas do que as que tenho - e acreditem, não são suficientes), isto vai ser bonito - ai vai, vai. As coisas vão estar mesmo muito, muito complicadas e não vejo solução sem ter de remexer nas minhas já escassas e mínguas poupanças, vender uns livros e cancelar a TV cabo.

 

Em Dezembro temos de ir à India, e eu não sei muito bem como é que vou gerir isto, até porque a ida à India não pode de todo ser adiada por motivos pessoais. Enfim, a ver vamos. Contribuições aceitam-se. Nesta altura, vale tudo. E eu nunca fui de cair por terra com a mais pequena adversidade.

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