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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

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17
Set07

Acordei!

Little Miss Sunshine

Ultimamente parece que é assim... Acordo a meio da noite, mal disposta ou com uma vontade quase infantil de ir à casa de banho. Levanto-me e deixo-me estar sentada na beira da cama, como que a tentar acordar os meus sentidos um a um para a realidade. Bebo àgua da garrafa que tenho sempre ao lado da cama, e que o Sid tão caridosamente oculta durante o seu sono sob um manto de almofadas e ursos de peluche.

 

Rezo umas maldições silenciosas, levanto-me cambaleante. Destino? Casa de banho. Tropeço no Sid que está neste momento a dormir no chão (mas não porque eu o mandei para fora da minha cama), tropeço na gata gorda e grávida que entretanto resolveu fazer das minhas pernas um carrocel à uma e tal da manhã (quase duas), vou contra o interruptor de luz frente à porta do quarto, que entretanto não abre apesar do meu esforço meio esgazeado.

 

A luz acende dentro do cérebro só para me iluminar a razão. De resto tudo continua ainda dormente. Desfaço o trinco da porta e lá vou eu. A casa está escura e silenciosa - só as luzes dos candeeiros lá fora entram pelas janelas dentro - aqui não se sabe o que são percianas, ou como eu tão inocentemente lhes chamava em menina, 'estórios' (vulgo estores).

 

Necessidades básicas asseguradas, abro a tampa do portátil e olhem, pus-me para aqui a escrever uma lenga lenga do caraças, quando a minha intenção era só registar uma ideia vaga para desenvolver num próximo post: os cursos Alpha. Bem, parece que fica mesmo para este post! Não sei se já se ouve falar muito disso por aí, mas aqui ultimamente esses cursos andam na língua do povo. Tudo graças a uma campanha de publicidade manhosa mas genial.

 

Os cursos em si não são nenhuma ideia nova, mas nesta altura ganharam uma dimensão que vai além do imaginável. Supostamente, pretende-se encontrar o sentido para a vida, explorando questões religiosas em maioria, numa forma de encontrar equilibrio entre o mundo espiritual e o mundo em que hoje vivemos.

 

 


 

Em Portugal, http://www.alphaportugal.com/

 

Em Inglês, http://uk.alpha.org/

 

E a campanha publicitária Inglesa:

   


A razão porque eu menciono isto tudo é porque nesta altura ando meia confusa com o destino a seguir, com o que fazer no futuro. Apesar de ter sido educada como católica Romana, e de ter ido à catequese e à missa até aos 16 anos (altura em que entretanto me rebelei, depois desses anos de imposição religiosa dominicana incutida pelos meus pais), a verdade é que nunca cultivei o meu lado espiritual como talvez seria de esperar de uma rapariga de boas famílias como sou - pronto, tá bem, estou para aqui a puxar a brasa à sardinha, mas um pouco de auto-graxa na estima individual de vez em quando só faz é bem.

 

Passando à frente... Desde os 16 anos que faço greve à missa, só entrando esporádicamente em recintos como Fátima ou a Igreja de St António em Lisboa, porque são os santos da minha devoção e neles nunca perdi a fé. Tenho um St António em casa, o qual muito penou nos meus tempos de solteira namoradeira. Continuo solteira, mas com namoro estável e firme, portanto o Santo foi colocado na sua posição vertical, como é devido. Tenho uma Nª Srª de Fátima em casa, à qual me agarro sempre que tenho medo ou sempre que tenho de passar por uma provação qualquer.

 

 

Contudo, cheguei hoje à conclusão, através da conversa com os meus amigos Hindus, de que a minha vida está isenta de espiritualidade. Dizem eles que isso poderá ser a razão dos meus medos e inseguranças face às provações da vida. Dizem eles que tenho de acreditar - não interessa no quê - mas tenho de acreditar em alguma coisa, em alguma entidade espiritual - só assim poderei encontrar a paz que não tenho dentro de mim.

 

 

Eu sei que isto parece conversa de padre e o caraças, e eu sempre odiei as homilias por serem longas, desinteressantes e cheias de duplos sentidos. Eu sempre acreditei que a religião era a polícia dos séculos passados, pois incutia o medo nas pessoas através da exploração da sua ignorância. Eu sempre defendi que religião só há uma, a que existe dentro de cada um de nós e que se chama consciência.

 

 

Por isso sempre dispensei o conceito de um Deus - o meu. Por isso sempre recusei acreditar num só profeta - somos todos profetas. Por isso sempre achei que a igreja católica era uma instituição quase à laia de negócio - e, consequentemente, não era um espaço espiritual por direito, mas por tradição e aceitação social.

 

 

No entanto, não nego a existência da minha fé. Em parte, está hoje misturada com a fé Hindu, e não só me ligo aos meus santos populares, como também me revejo nas histórias milenares dos Deuses Indianos, Ganesha e Krishna, e acredito no poder na mente e do espírito como algo comum, uma espécie de engrenagem que só funciona em conjunto uma com a outra - a meditação é isso mesmo, aliás.

 

 

Isto tudo para dizer que estou a pensar em fazer um desses cursos Alpha. Supostamente dão-te uma visão mais real do que é o mundo espíritual e de como a nossa vida pode realmente ganhar sentido se a alimentarmos de fé. Pessoalmente, como céptica que sou, duvido que a minha cabecinha mude nesse sentido, mas vou à procura de respostas. No fundo, eu não quero saber o que é o sentido da vida, mas quero entender porque é que certas coisas são assim e não assado.

 

 

Quando me inscrever (provavelmente esta semana), logo vos digo passo a passo como as coisas são e no que consta exactamente este curso Alpha de que toda a gente fala. Estes cursos são normalmente dados pela igreja católica, mas estão abertos a todos os credos ou religiões.

 

 

E chega de falar de religião por agora. Reza a etiqueta de que este é um assunto Tabu e deve, portanto ser evitado, da mesma maneira que também deve de ser evitado falar de política ou de futebol. Hehehehe - imaginam quantas regras de etiqueta não se quebraram já por esse mundo fora? Viva a liberdade de expressão, fora com os conceitos sociais impostos pelo Homem!

 

 

(Ando um bocado anarca ultimamente, ai ando, ando...)

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