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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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29
Abr06

Como eu vim parar ao Reino Unido... - Parte II

Little Miss Sunshine

Olá... nem vos conto a noite de ontem - uma autêntica porcaria! Mas a culpa é um bocado minha, porque estava com expectativas de ver pessoal amigo e conhecido e acabei a caminhar kilometros com umas sandálias muito "confortáveis" (não!) até casa. Resultado: os meus pés estão todos queimados, doem que se farta e mal consigo andar!

Mas mudando de assunto, eu prometi que ía contar como é que eu vim aqui parar às terras de sua majestade, e aqui vai...

Em Janeiro de 2004, eu vi finalmente a possibilidade de vir a Inglaterra. Foi sempre um sonho de miúda e quando a oportunidade para vir cá fazer uma entrevista para a MyTravel Airways surgiu, eu não disse que não. Ja estava a trabalhar há algum tempo no aeroporto de Lisboa como Técnica de Assistência a Passageiros ( sim, eu era menina de check-in ) e apesar de estar muito contente com o meu trabalhito lá, sempre me ensinaram a voar mais alto... E então voei para Stansted por uma semanita.

A entrevista era só um dia, e acabei por não passar (a razão é muito simples - eles puseram-me um teste de matemática à frente!), mas como tinha marcado uns dias a mais de férias de propósito para conhecer Londres, não me importei muito.  Estava finalmente em terras de sua majestade. Não sei como nem porquê, mas senti-me em casa. Era tudo novo, desde o leite até às tomadas eléctricas, o tempo, a língua... Eu estava completamente parva com tudo o que me rodeava, que me entrava pelo nariz, olhos e ouvidos: informação, informação! Novidade! Novidade!

Nessa semana que estive de visita, fiquei na casa de um amigo meu norueguês, e ele estava a estudar na Universidade onde eu estou actualmente. Ele mostrou-me as residências e a uni e eu fique ainda mais parva... A qualidade das casas e poder viver sózinha num quarto não me pareceu mal, pareceu-me até algo que eu adoraria descobrir como era.

Esse meu amigo norueguês apercebeu-se da minha vontade em vir para cá e falou-me num site onde os estudantes internacionais podem candidatar-se ao ensino inglês (o site chama-se UCAS). Assim que cheguei a Portugal vinha mesmo deprimida, apesar de ter chegado via Algarve e de estar sol mas fresco...O contraste da vida Inglesa com o da vida Portuguesa chocou-me um bocado e como a minha vida afectiva também estava um caco (para variar), eu andei umas semanas a recuperar desse choque de culturas. Mas eu prometi a mim mesma que as coisas não podiam ficar por ali. Eu queria mais, e porque não juntar o útil ao agradável?

Foi por isso que meti a minha candidatura no site do Ucas em Fevereiro, mesmo no prazo limite. Estava um pouco inquieta porque já tinha começado um curso superior na Universidade de Lisboa, que odiei por ser pouco flexível e por achar que os professores eram pouco comunicativos e não davam feedback nem espaço para melhorias. Resultado: acabei por desistir do curso e ir trabalhar!

Mas voltando ao meter a candidatura em Fevereiro... Meti os papeis e andei um bocadinho ansiosa, mas não disse nada a ninguém. Não estava à espera de entrar tão pouco, e quando em Abril soube do resultado, ía morrendo! Quando contei aos meus pais eles íam morrendo...

Mas estava feito, eu tinha recebido a oferta de um lugar na minha actual universidade. O pior era começar os preparativos para vir para aqui. Não tinha muitas economias, e meti um pedido de bolsa ao governo Inglês. Estava com medo porque se a bolsa não fosse atribuida eu não poderia vir, pois a bolsa era para cobrir o valor das propinas e as propinas eram mais de mil libras! Mas consegui a bolsa e os meus pais ajudaram-me com o investimento inicial do alojamento. Ém Agosto, na minha festa de anos e despedida do trabalho, lá me despedi do pessoal do meu trabalho e essa foi das partes piores do ter de ir para Inglaterra. Eu amava o meu trabalho e ter de me ir embora foi muito triste.

Mas a vida continua, e no dia 17 de Setembro de 2004 lá vim eu de malas e bagagens a pesar mais de 30Kg cada, directamente do Algarve para Stansted ( na altura não havia vôos baratos de Lisboa). - Aliás, eu escrevi um post neste blog sobre isto. Estava assustada. Tinha 300 libras no bolso, nenhuma perspectiva de trabalho, um curso para começar e alojamento pago até Dezembro. Mas ao fim de um mês arranjei trabalho num standzito a vender malas de senhora. O curso cá anda, o semestre passado correu mesmo bem, já mudei de trabalho três vezes, já tive um carro ( já não tenho, porque a companhia que me dava o carro foi à falência), já tive montes de economias que foram todas com o vento quando perdi o emprego ( infelizmente não perdi as minhas contas também... ) e tenho contado com o apoio incondicional dos meus pais sempre que as coisas dão para o torto, o que não é sempre - diga-se de passagem...

Sou uma orgulhosa e sempre disse que enquanto tiver mãos e pernas, e braços e pés para trabalhar, não hei-de parar. Cá estou eu agora, no segundo ano de História, Business e English Literature, a trabalhar num supermercado 30 horas por semana e ainda ter tempo para saír à noite, fazer os trabalhos de casa, arrumar o quarto, tratar da minha gata, arranjar namorados e ver TV...

Não tem sido fácil, mas quem disse que a vida era fácil mesmo?... 

Às vezes só me apetece gritar porque eu tenho de lutar por tudo sempre e tanto, que o destino bem me podia fazer o favor de colocar o meu cavaleiro andante à minha frente em vez de me fazer desesperar à procura dele! E não me venham com " o amor não se procura"! Tangas!

Bem, tenho de ir para o banho, vou trabalhar daqui a menos de três horas. Beijocas.

 

 

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