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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

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23
Jun08

Em paralelo com o Universo

Little Miss Sunshine

Ontem fiquei possessa quando a rapariguinha que se dizia minha amiga - aquela que veio morar para a minha casa porque não tinha mais para onde ir, aquela que se ía casar este ano mas por sorte ou azar das conjunturas não casou... - se virou para mim, assim que cheguei do meu trabalho, com alta indignação, a descompor-me porque na MINHA casa, as pessoas não puseram um saco de plástico no caixote do lixo e meteram lá na mesma papeis e algodões de limpar a cara. Eu só me apeteceu dizer-lhe que antes de ela vir morar para aqui, a casa já andava limpa e que se ela quer que as coisas estejam limpas ao standard dela, então que compre uma casa e vá morar sózinha - esta agora! A única coisa que eu preciso nesta altura é ter alguém DESEMPREGADO a descompor-me sobre o comportamento de limpeza dos meus housemates (ou o meu) quando venho do trabalho...

 

E depois ainda me disse que ela é a única a fazer limpeza aqui na casa e que as pessoas se aproveitam disso para fazer nenhum, quando sabemos todos muito bem que isso não é verdade, porque mal ou bem, aqui toda a gente contribui da melhor forma que pode e já somos muito grandinhos para termos alguém a chatear-nos a cabeça porque não fazemos limpezas quatro vezes ao dia! P-L-E-A-S-E!!! Nós trabalhamos , não é? Mais, não pense ela que lá porque pode rejeitar trabalhos e estar no desemprego o tempo que quer, que nós somos iguais a ela.

 

Se há coisa que eu gosto mais, é de voltar a casa e ver a casa limpinha e a cheirar bem. Mas uma coisa é ter a casa limpa, outra coisa é ter a casa obcessivamente limpa 24/7, que se nos mexermos ou dermos um traque, vem a merda da casa abaixo! E verdade seja dita, eu mantive o meu cool ontem, porque ela se vai embora esta semana (se Deus quiser), e eu não estou para me chatear - porque acreditem, se ela me tivesse apanhado num daqueles dias, eu juro que não me tinha calado. Enfim, há sempre problemas quando se divide a casa com muita gente, porque não somos todos iguais e porque todos temos necessidades diferentes e prioritizamos coisas diferentes.

 

Eu já tive  minha parte de problemas, e às vezes ainda aparece um ou outro para resolver, mas assim que ela se for embora e que o meu amigo tuga se instalar no quarto pequeno, as coisas vão finalmente entrar nos eixos - espero eu, porque as coisas nunca entram totalmente nos eixos, mas vão andando. Eu e o Sid ainda queremos ficar nesta casa pelo menos mais um ano, e eu queria que as coisas daqui em diante coressem bem - é frustante o suficiente saber que a minha irmã arrenda uma casa só dela por 300 euros por mês, e eu se quisesse arrendar uma casa só minha com as assoalhadas que a minha mana tem, me custaria entre 800 e 1000 libras por mês... E convenhamos, ainda sou estudante, a trabalhar part-time, e não faço esse dinheiro num mês. Mas pronto, vai dando para o gasto, e eu vou progredindo, à espera que uma oportunidade passe à minha frente ou então que acabe por ficar mesmo na universidade, que era o ideal, porque sempre achei que dava para ser professora - mas sempre soube que nunca poderia ser professora de adolescentes, porque não tenho paxorra.

 

Ontem, depois do rapanete da outra, só me apeteceu saír de casa e assim fui visitar a minha amiga Jay, e a família toda (incluindo a bébé do meu coração). Acabámos por ficar lá a jantar e ainda me leram a mão - aparentemente vou ter um encontro com a morte, mas nada tão grave como os dois encontros que tive no passado:

 

(1) Quando a minha mãe caíu redonda no meio de um passeio molhado em Lisboa e o meu carrinho de bébé quase escorregou da mão da minha mãe comigo lá dentro. O problema foi mesmo o fim do passeio, uma rua movimentadíssima - segundo consta - e que caso o carrinho se precipitasse por ali a fora, a minha morte era mais que certa! Mas graças à mãe, que tal heroína de BD, se esticou todinha para o agarrar, eu safei-me!

 

(2) Quando nos meus 14/15 anos, achei por bem meter uma colher de sopa de cola-cao em pó na boca. Calculei as coisas tão mal, que em vez de respirar para fora, respirei para dentro e o cola-cao inundou as minhas vias respiratórias e pulmões daquele pó castanho e doce. Safou-me a àgua da torneira da cozinha que a minha empregada de então - Helena, nunca esquecerei - me abriu, sem perder a calma, porque eu já estáva mais que em pânico. Consta que fiquei roxa, mas eu não me lembro de mais nada, bebi a àgua e pude de novo voltar a respirar...

 

Ao saber da possibilidade de um terceiro encontro com a foice, fiquei agoniada e já não pude pensar em mais nada - mas segundo consta, não vai ser tão grave como os outros dois e se o Sid olhar por mim, até pode ser que não aconteça nada... Mas eu, como sou, comecei logo a fazer ligações... E no meu Kundli (mapa astral indiano) prevêem-se complicações e atrasos na minha possível, futura gravidez, o que me levou talvez a desejar secretamente a não ser mãe - até porque até à bem pouco tempo eu não me via de barrigona ou mesmo a parir uma criancinha, mas as coisas começaram a mudar com a aparição próxima dos 30 anos, e a ideia já não me desagrada tanto como há uns aninhos atrás...

 

Claro que as condições para que algo do género aconteça também não estão reunidas, e vai demorar pelo menos mais um ano a ter a minha vida estabilizada e uma casa a que eu possa chamar minha. Falta-me a tese para acabar o curso, e nem isso arranca, ando estagnada nas ideias e na vontade de escrever sobre sustanibilidade do café no Reino Unido... E farta do RU estou eu....

 

Claro que, depois vem a questão de querer voltar a Portugal à baila - algo que também se sobrepõe a tudo isso! E sim, está tudo mal em Portugal, bem sei, mas aqui também não está melhor. Ao menos em portugal eu sei que posso ter a família, os amigos, um carro e uma casa - aqui vai-me demorar bem mais que um dois, três ou quatro anos para conseguir reunir essas coisas todas num package...  E a família nunca estará 100% nesse package em termos presenciais.... E por isso ando assim a modos que em stand-by, um pouco a desejar que a minha vida se resolva por si, porque eu não me apetece ter de abdicar de absolutamente nada neste momento... É um pouco como viver em paralelo com o universo...

 

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