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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

30
Jun07

AAAARRRRGGGGHHHH!

Little Miss Sunshine

Não pára de chover! Odeio este tempo maluco!!!

E o meu gajo põe-me LOUCA!

 

Vai trabalhar amanhã até às 20h!!! NUM DOMINGO!!!

Estou furiosa...

Depois de eu lhe ter pedido MIL vezes para não aceitar esse horário!

 

Estou tão chateada! Só me apetece partir o quarto todo!

Que raio de homem que eu arranjei!

É um banana!

UM BANANA!

 

 

AAAARRRGGGHHH!

Vou passar a minha vida toda a resmungar com ele?

A esperar que ele resolva a vida dele para eu poder resolver a nossa vida juntos?

 

Onde é que eu já vi esta história?

 

ESTOU CHATEADA!

 

29
Jun07

Resultado de um teste psicotécnico...

Little Miss Sunshine

Para referência...

 

Category Percentages  
Technology 100
 
Finance/Accounting 100
 
Government/Policy 100
 
Business & Management 80
 
Sales & Marketing 75
 
Creative/Performing Arts 70
 
Administrative/Clerical 67
 
Entrepreneurs 60
 
Communications 57
 
Mechanical/Electrical 50
 
Education 50
 
Social Sciences/Services 50
 
Visual Arts 40
 
Security/Criminal Justice 33
 
Construction & Maintenance 25
 
Agriculture/Forestry 20
 
Manufacturing 20
 
Healthcare 14
 
Natural Sciences 13
 
 

 

 

Segundo este teste, eu deveria seguir uma profissão ligada a computadores, contabilidade e Finanças, ou escolher um cargo governamental. Curiosamente, o que eu quero fazer mesmo não está fora da lista, vem logo a seguir, em quarto e quinto lugares: gestão e marketing.

 

Será que vou fazer o mestrado errado??

 

29
Jun07

Entre um 2:2 e um 2:1

Little Miss Sunshine

As notas provisórias começaram a sair hoje, para grande alegria minha!!! Descobri que tive um 14 na minha tese de final de curso sobre Pearl Harbour - facto que me deixa babosa, considerando que fiz pesquisa e redacção da mesma num mês apenas (terminando com 60 páginas de texto e ilustrações, 10 páginas das quais eram maioritáriamente bibliografia!).

 

A noita mais baixa foi a Terceiro Reich, um 10, o que me lixa a média toda, mas olhem, que se lixe, porque tive mais uma catrefada de dezasseis, e um 18. Assim sendo, e após cálculos matemáticos muito bem explorados, a minha média está mesmo entre um 2:2 (que toda a gente tem), ou um 2:1 (que nem toda a gente tem, e por isso vale mais em termos de perspectivas de trabalho).

 

Claro que estas notas são ainda todas provisórias, porque só a partir de 21 de Julho sei exactamente o «award» que me vai ser atribuído. De qualquer maneira, o Mestrado já cá canta porque reuni as condições que eles me impuseram, e assim estou livre para o começar este Setembro, se as finanças me ajudarem...

 

A busca de apartamentos também continua, com várias opções em aberto. Temos ido ver casas e apartamentos esta semana, e para a semana o mais provável é continuar com as visitas, o que me irrita um pouco, porque eu devia era descansar.

 

Fui aceite num emprego para trabalhar numa empresa de comunicações nacional, mas é vendas e eu estou um pouco a medo, pois se se trabalhar a objectivos eu prefiro não arriscar. Já trabalhei num banco nacional português a objectivos e foi uma desgraça. Nunca conseguia atingir os objectivos e acabei no olho da rua ao fim de três contratos de trababalho, prática que aliás vem sendo costume das companhias portuguesas, inclusivé as de trabalho temporário, como aconteceu recentemente com a minha irmã, cujo contrato não foi renovado mas ela continuará a trabalhar no mesmo local... e para a mesma companhia!

 

Juro que não sei qual é o problema desta gente, em vez de apostarem em mão de obra especializada, preferem andar a jogar ao totoloto com a vida das pessoas.

 

Enfim, tenho de me ir arranjar para ir para o ginásio porque continuo na cura de emagrecimento sem dietas loucas e se não fizer exercício - ainda mais agora que estou fora do trabalho por duas semanas - então é que vou engordar mesmo... Isto porque não pára de chover e eu nem sequer posso dar passeios pelo campo (de futebol).

 

Bem, hasta luego - como dizem os nossor hermanos. Eles é que são espertos, tiram a sesta todos os dias!

28
Jun07

Insónia...

Little Miss Sunshine

Depois de uma noite mal dormida, o regresso ao trabalho parecia um facto incontornável, especialmente depois de ontem eu ter optado por ficar em casa e não me chatear mais com a minha situação. Só que, determinada a mudar o que está mal na minha vida - e acreditem, é só mesmo o meu emprego actual e nada mais - telefonei novamente a dizer que estava doente na mesma e que não podia ir, para num golpe de mestre logo de seguida ir ao posto médico e fazer um choradinho um pouco exagerado daquilo que sei ser uma depressão lactente em evolução rápida e acelerada.

 

Sim, estou deprimida. Sim, odeio o meu trabalho. Sim, o meu trabalho está a afectar todos os outros campos da minha vida. Sinto-me incompreendida, sinto-me sem futuro, sinto-me de mãos atadas porque não quero decepcionar as pessoas de quem eu gosto... Mais, o facto de estar longe de casa, as saudades, a vontade de fugir deste tempo maluco, o facto de ter de mudar de casa daqui a dois meses e as férias que teimam em não vir tão rápido quanto necessário, a minha situação de Mestrado que ainda não está bem definida, o empréstimo que teima em não aparecer... tudo isso me está a deixar MALUCA.

 

Valeriana, hipericão, etc, etc... Tudo natural... Sim, porque o meu peso está a diminuir, mas ainda está no limite do excesso, e eu tenho-me esforçado, acreditem... Mas sinto que tudo o que faço me falha, que não vale a pena fazer um cú porque as coisas não vão mudar, que a minha vida está suspensa por uma corda muito ténue e fina, e que a corda está mesmo prestes a rebentar.

 

Mas eis que as palávras mágicas do médico me aliviaram a consciência, a alma, e a paz começou novamente a instalar-se. Duas semanas. Duas semanas fora daquele trabalho, sem pensar em chamar pessoas de outros departamentos para as caixas, que entretanto têm já filas intermináveis de clientes resmungões, presunçosos e mal agradecidos; duas semanas sem ter que pensar nas investigações de dinheiro nas caixas que ou estão acima ou abaixo do previsto; duas semanas sem os tradicionais 'gossips' dos supervisores contra operadores de caixa e vice-versa; duas semanas sem ouvir 'bip' 'bip' 'bip'; duas semanas sem fazer turnos tardios, ou ter de reunir os famosos 'put backs', que os outros departamentos tão 'simpáticamente' deixam no nosso terminal...

 

Duas semanas de descanso, para me ajudar a pensar no que vou fazer. Tenho uma semana para decidir se me vou embora daquela espelunca ou não. Acreditem, desde que o médico me passou o certificado que já encontrei a minha provável nova casa, já me garantiram um outro emprego bem mais perto de casa e - hey! - cargo acima daquele que eu desempenho no super, com remuneração à altura!

 

As coisas começam-se a encaixar e o meu mais que tudo está também a tratar do meu empréstimo para o Mestrado, o que significa que sou bem capaz de o começar este Setembro, como esperava!

 

Depois digam-me lá se um mau emprego não interfere com a nossa vida!? - Interfere e MUITO! É assim!

27
Jun07

Uma noite de trabalho...

Little Miss Sunshine

Hoje estou no turno da tarde/ noite. Isso significa saír do trabalho lá para as 21h, apanhar o autocarro e cair na cama, porque no dia seguinte começo a meio da manhã outra vez. Esta semana vai ser assim, sem dó nem piedade.

 

Hoje é daqueles dias em que odeio mesmo o meu trabalho. Vou para lá, mas desde que acordei que já não me apetece fazer absolutamente nada, porque nem sequer vale a pena. Não sou reconhecida pelo que faço, é só dizer mal desta e daquela, enfim, vida de supermercado - que não é diferente da vida de outro local de emprego qualquer onde existam muitas mulheres.

 

O meu namorado ontem foi renovar o visto dele pessoalmente. Aqui cobram o dobro se fores pessoalmente renovar o teu Visto, pois se o fizeres pelo correio é bem mais barato, só que tens de esperar de 3 a 13 semanas para o reaveres. O rapaz foi a Birmingham e tudo (que não é nada perto), gastou montes de dinheiro de transportes, horas de viagem, para os gajos se virarem para ele e lhe dizerem que precisam de 'investigar' ainda mais a situação de estudante dele.

 

Resumindo... Pagou uma pipa de massa, e não trouxe o visto renovado e agora tem de esperar que os gajos do Home Office lhe mandem o passaporte para casa daqui de 3 a 13 semanas a contar de ontem. Fiquei piursa!!! Isto, porque estamos de viagem marcada para Portugal dia 29 de Julho, o rapaz ainda tem de ir tratar do visto Português, e eu estou mesmo a ver que as coisas vão (mais uma vez) andar apertadas para o nosso lado...

 

Odeio isto... A sério... já não chega odiar o meu trabalho ao ponto de me dar a travadinha de cada vez que eu tenho de regressar após as folgas (e que tenho tentado procurar outros trabalhos, eu até tenho e muito... mas sem sucesso), ter de mudar de casa daqui a 2 meses  porque o senhorio resolveu vender a casa, ter que tentar arranjar um empréstimo de 3,500 libras ( e o facto de eu mudar de casa de 6 em 6 meses não dá garantias nenhumas a ninguém, e por isso aquilo que eu mais recebo no correio são recusas de crédito), eu ando de todo.

 

Mal consigo levantar a cabeça de tanta tempestade que por aqui vai. As ondas? Bem, são de cinco metros às vezes, com direito a rasgar fotografias, mandar tudo para o chão de raiva e frustração, acabar num choro compulsivo e na já minha tão frequente frase: «eu quero voltar para casa» (interprete-se como eu quero voltar para Portugal, onde um T1 em Lisboa são 350 euros e um trabalho é muito mais fácil de gostar, mais que não seja porque todos falam a mesma língua).

 

Mas, mal ou bem, apesar da vontade de voltar, a verdade é que a minha vida aqui nem tem sido muito má, e eu tenho um medo horrivel de voltar e de entrar no mesmo ciclo de tristeza porque sinto a falta disto aqui. E mais, as garantias de arranjar um emprego depois do mestrado são muito mais positivas e com uma muito maior percentagem de sucesso... Afinal, eu quero ter um escritório só meu, com uma janela sobre uma cidade qualquer Europeia ou Americana. Esse sim, sempre foi o meu sonho.

 

E não é fácil perseguir sonhos quando se é uma pessoa tão cabeça dura como eu, ou com tantas inseguranças e medo do incerto. A não esquecer que estou a fazer 29 anos não tarda, e para o ano tenho 30. Começo também a pensar em criar raízes num sítio onde tenha a certeza de que posso criar uma família sem medos e sem problemas... E sinceramente, a Inglaterra não é o local ideal para se ter uma família - e muito menos a India... E voltar para Portugal sem ter o gajo a falar fluentemente o Português é um pouco complicado...

 

Sei lá... Isto agudiza-me profundamente, porque nesta altura sinto que não estou bem em lado nenhum. E que a minha vida vai ter de mudar, lá isso vai, nem que seja de país. Eu começo a aperceber-me que aqui não dá. Esta chuva incessante a meio do Verão, frio de tal maneira que eu ainda não pousei o anorake de vez, está a dar cabo de mim...

 

E o meu trabalho é o pior de tudo, mas não vamos voltar a isso, senão ainda me dá na cabeça e telefono a dizer que não vou nunca mais. Enfim... Coisas da vida. Tenho de comer e calar, como diz o outro, porque felizmente não me falta comida à mesa (se bem que estou de dieta, e portanto como menos, mas com mais qualidade), e tenho conseguido mal ou bem, colmatar todos os buracos da minha vida com perspectivas de um futuro mais brilhante.

 

O problema é que passamos a vida toda a batalhar que nem formigas (eu pelo menos) e depois vemos as cigarras descansadas a apanhar tudo o que cai do céu, e mais, sem o mínimo esforço... E depois eu pergunto... Será que eu sou uma tótó? Ando para aqui a esforçar-me mais do que posso e para quê? Em três anos nunca me sentei à sombra da bananeira, e só fiz sacrifícios, para quê? Para andar de joelhos no chão e cu alçado a limpar as embalagens de compota que os srs. clientes se dignaram a partir bem entre duas caixas? Isto quando não é vinho, ou cerveja, ou seja lá o que for... Sou supervisora, mas o nome tem muito mais de pomposo do que o cargo...

 

Sim, somos o apoio às caixas... Mas olhem, sinceramente, preferia voltar a ser operadora de caixa. É menos dinheiro, mas menos stress, menos correrias, menos chatices e pronto... Também não precisava de fazer turnos tardios.  Tantas discissões tenho eu tido com o meu namorado, que verdade seja dita, tem uma paciência de santo, isto porque eu não consigo tomar as rédeas da minha vida porque tenho estado demasiado ocupada a tomar as rédeas da NOSSA vida conjunta, com os problemas dele - e os meus - às costas.

 

E não dá. A corda rebentou esta semana. Ando miserável, infeliz e com medo de deixar mal as pessoas que me deram a mão e apostaram em mim (a minha chefa). E eu não sou pessoa de queimar pontes, ou em mais português, fechar portas. Não sou pessoa desse tipo, pronto. Mas a porta do supermercado vai ter de ser fechada atrás das costas, mesmo que isso signifique chorar convulsivamente depois de entornar o leite.

 

Porque, meus amigos, viver aqui é bom, mas é uma merda também. Não chega já o facto de ter de falar em Inglês constantemente, os estrangeiros são alvo e discriminação constante, mesmo que esta não seja directa. Eu olho para as minhas colegas de universidade inglesas e olho para mim... elas estão todas juntas a um canto e eu estou sózinha noutro. Isso basta para provar que a política do todos diferentes, todos iguais não se aplica.

 

Resumindo, estou para aqui a pensar se telefono a dizer que não vou ou não... Mas lá estou eu a pensar nas minhas colegas. E a vontade que me dá é mesmo mandar todos à merda e pôr-me na alheta de vez. Ontem estive mesmo quase a comprar uma passagem só de ida para Lisboa. Começo a ter relapsos destes com alguma frequência e isso significa só uma coisa... Que eu não estou feliz com a vida que escolhi.

 

Mas como a minha prima me disse ontem, e com muita razão, é so mais ano e meio e pronto. Depois disso estou livre para me mudar para onde eu quiser, fazer o que eu quiser, etc, etc, etc... E isso é capaz de ser mesmo bom. E isso é mesmo o que eu preciso. Ano e meio parece tanto... Mas para quem já passou 3 anos assim, ano e meio não é nada...

 

Mas o tormento do meu emprego é a pior coisa que pode existir... Por isso, hoje decidi...

 

Não vou.

24
Jun07

Dias de folga...

Little Miss Sunshine

Hoje acordei e liguei a televisão. Há tempo que não fazia isso, tinha sempre muito mais que fazer e a TV tem estado mais tempo desligada que outra coisa. Mas hoje apeteceu-me e lá andei a fazer zapping pela tv digital... De repente parei de fazer zapping...

 

'Eeeeehhh pá, o que é isto!??' Pensei eu, absorvida por memórias infanto-juvenis enquanto revi um dos milhentos episódios de 'Os três Dukes' (lembram-se?)... E enquanto fiz o meu pequeno almoço, preparei o almoço e ainda comecei a fazer a sopa para o jantar, começa... 'o justiceiro' ou, se preferirem, 'The night rider', o gajo das 'Marés vivas' com o seu carro marado, o Kit.

 

Claro que depois me lembrei de olhar para o relógio, e decidi ir ao ginásio, por isso a minha sessão de TV acabou mesmo por aí. Ao almoço, sardinhas com uma batata cozida e muita saladinha. Depois... Depois não sei, mas estou sózinha (o gajo foi trabalhar) e achei por bem aproveitar estes momentos para fazer o que mais me apetece.

 

Afinal de contas, eu mereço.

22
Jun07

Já não sou feliz...

Little Miss Sunshine

Acontece de vez em quando, na minha vida, acordar e perceber que nada em mim já canta com o sol da manhã, que já não há sorrisos, que o quotidiano passou a ser uma obrigação. Esta semana tenho andado assim. Não sei se é os efeitos da dieta - que mal começou já foi por àgua a baixo (a motivação é já nenhuma) - ou se sou mesmo eu que volta e meia tenho ciclos de auto-destruição que me levam ao abismo para mais tarde me fazerem reviver e dar um rumo novo à minha vida.

 

Eu e o Sid já não nos entendemos. Por mais que eu tente e me esforce, acabamos sempre o dia a discutir, e a cada dia que passa as discussões ficam mais violentas. Esta semana tenho adormecido com lágrimas nos olhos todos os dias, e se há relativamente pouco tempo ainda procurava um carinho dele, nesta altura já fechei para obras de restauro, daquelas que demoram anos a ser concluídas.

 

Não acredito que tenho de passar o resto da minha vida assim. Isto dá-me que pensar a todos os níveis. Já não chega a frustração de ter o lugar no mestrado mas não ter o dinheiro, ou o ter a possibilidade de mudar de trabalho, mas para fazer o mesmo e ganhar menos ainda... Não. Basta.

 

Estou farta de ver no homem que vive ao meu lado tudo menos aquilo que eu acreditava ter. Não só não me inspira confiança como também já nem sequer me transmite segurança. Promete coisas que não cumpre, deixa o dito por não dito e resolve tudo em cima do joelho, em cima da hora. Já a minha mãe me dizia em meus tempos de adolescente que o amor e uma cabana é algo que já não funciona nesta vida...

 

E nunca esteve ela tão certa. Por isto, ou por aquilo, o pequeno conflito logo se faz grande e nós só temos tido conflitos ultimamente. Tenho saudades de acordar, respirar fundo e agradecer pela minha vida na Terra. Não acordo com a mínima vontade de saber o que o dia me reserva, até porque os meus dias se tornaram apáticamente todos iguais. Eu só quero ter a certeza que vou poder dar um telhado aos meus futuros filhos, se os tiver.

 

Quero assegurar que as coisas vão ter pés para andar no futuro e que nada me vai faltar. Mas não quero que isso seja conseguido a muito meu custo, e só meu. Nesta altura, o Sid prepara-se para o mestrado e eu preparo-me para a vida. Não é uma opção, é uma necessidade. Mas por um dia eu gostava que fosse ele a tomar as rédeas do que é nosso...

 

Só que ele não toma, e pior ainda, tudo o que faz não me inspira confiança. Isto porque muitas vezes lhe disse, olha lá! E ele não ouviu e quando se sentiu à rasquinha quem é que veio para salvar a situação? Eu, pois claro... E porquê? Porque penso à frente.

 

Ele não pensa à frente, não vê que a vida não é um conto de fadas. Não é mesmo. Olhem para mim, a trabalhar horas extraordinárias num supermercado só para ganhar mais dinheiro para poder assegurar uma casa, porque não? E o menino a trabalhar somente 16h por semana... E ainda se endividou para os próximos 5 anos com um empréstimo para o mestrado, algo que eu também queria fazer mas que provavelmente vou ter de adiar por falta de verba.

 

Estou frustrada. Estava hoje a limpar o chão de joelhos no supermercado e a pensar para mim porque raio é que eu andei três anos da minha vida a estudar e a tirar um curso... Três anos sem sair, sem ir tomar cafés ou ir ao cinema... Três anos a ir a casa apenas duas vezes por ano, depois de ter quase que abandonado o meu ainda na altura cachorrinho, as minhas gatas (uma das quais até já desapareceu), o emprego que eu amava no aeroporto...

 

Mas enfim, a escolha foi minha, e não me devia castigar pela escolha que fiz. Mas hoje sinto que dei um passo errado. Ou isso, ou então estou há demasiado tempo no mesmo sítio e a fazer a mesma coisa. E agora, de curso acabado, chega também a possibilidade de regressar a casa, ou melhor ainda, fazer um mestrado... Bolas, a média daqui é alta e eu consegui! Eu consegui admissão!!!

 

Mas para quê? Cedo constatei que na minha vida tenho sempre de lutar pelas coisas, não há remédio... E quando não luto, ou quando me farto, passo o resto da minha vida a pensar nisso e no como seria se... Não!

 

Vou ter de mudar de casa... Outra vez... No espaço de três anos já tive 5 moradas, 5 quartos diferentes, nenhuma privacidade, nenhuma coisa a que eu possa realmente chamar minha. Ficar com o Sid  significa mais uma mudança de casa ou duas. Significa adiar a minha vida por mais um ano e continuar no mesmo nível de vida que tenho. Não significa andar para trás, tão pouco significa andar para a frente.

 

E estou aqui eu, no meio de isto tudo, a pensar no carro que já tive e não tenho, da privacidade que já tive e não tenho, da vida que já tive e que por pior que fosse, era minha, e eu joguei-a fora da janela na esperança de melhores perspectivas. Quais dietas, quais problemas... Hoje apercebi-me que começo a ter de tomar decisões que me vão condicionar o resto da minha vida. E entre Portugal e o Reino Unido, sinceramente prefiro nenhum, por tudo o que significam... Portugal pelo passado, Reino Unido pelo presente estagnado em que me encontro.

 

Não acordo a sorrir. Não consigo pensar mais numa vida a dois, porque ao fazer isso estou a ver o fim da minha vida como eu a idealizei. E coragem para abandonar o que já está cimentado? Não sei se tenho, mas hoje pensei mesmo em marcar vôo só de ida para Portugal e fazer a mala e pôr-me a milhas - já nem ir trabalhar amanhã.  

 

Eu quero um homem que me dê estabilidade suficiente para eu poder alugar um apartamento, começar a pensar em algo mais sério... Na vida dele tudo parece correr sobre rodas, porque é que a mim as coisas não me sabem tão bem então?

 

Sim, talvez tenha ciúmes em parte, porque ele sonha, arrisca e segue em frente. Eu arrisco e sonho, mas de acordo com as minhas possibilidades apenas. Não sou capaz de ver além do horizonte, exceptuando quando tenho de pensar em desastres ou problemas. Sinto que sou eu para tudo, e eu não ganho nada com isso. Quero uma carreira em Marketing, não em Retail. Quero um escritório só meu num andar, não uma série de balcões ou caixas pejados de ingleses irritantes e resmungões que só te tratam abaixo de cão.

 

Não... Algo precisa de mudar. E esse algo sou eu mesma. O meu amor tem sofrido golpadas intensas e nesta altura já nem sei se amo o meu namorado. Questiono tudo e todos, pergunto-me coisas para as quais não tenho resposta e dia a dia, sou deixada assim, numa núvem de frustração imensa e uma vontade de mudar, mas sem coragem para tal...

 

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