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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

30
Jun10

Um novo membro na família e complicações financeiras

Little Miss Sunshine

Uma das razões porque eu poupo bastante tem a ver com situações como a que eu vivi hoje. Hoje deveria ter sido um dia feliz para mim: dia de receber o ordenado. Mas qual não foi o meu espanto quando eu reparei que não fui paga!!? A Universidade mudou o sistema de recursos humanos, e eu fiz o que eles me pediram, submeti as minhas horas através do novo sistema. Pois bem, as horas não me foram pagas. Um total de 88 horas de trabalho que eu não recebi. Resumindo, quem paga a renda e as contas este mês? Vou ter de mandar as contas para a Universidade pagar, não?

 

Estou super stressada porque eu nunca falhei com as minhas contas e esse dinheiro faz-me falta, principalmente porque vou estar os próximos 2 meses à seca, já que não há aulas e eu não vou receber pagamento dessa função. Já reclamei, mas como o pessoal dos recursos humanos está em treino, só devo poder ter uma resposta para este problema no dia 5 de Julho. Não está bem. Lá fui eu ter de mexer nas minhas poupanças. Não se faz.

 

E hoje ao fim do dia vou buscar o meu cachorrinho. Foi a minha prenda de anos para mim própria, já que parece que o marido vai voltar a viajar (foi esta segunda-feira para Birmingham), e eu não aguento mais esta solidão! Desde que o ritmo do meu trabalho abrandou que eu tenho andado super deprimida, e super carente, porque me sinto uma inútil - eu sem trabalho não sou ninguém! E sem dinheiro sou menos ainda. Vou ensinar o meu cãozinho a comportar-se direitinho, uma espécie de treino para um dia que aconteça o milagre de ter um filho.Vai-se chamar Bidú e é um Shih-Tzu, com pedigree e tudo. A Daisy é que acho que não vai achar piada nenhuma, mas em parte o cãozinho também é para ela, porque ela passa a vida a dormir e a veterinária disse que para um gato de 3 anos, ela tem de ser mais activa, porque está a ficar gorda.

 

Estou desejando ir buscar o meu novo amiguinho peludo.

 

 

 

 

26
Jun10

Brasil e Portugal

Little Miss Sunshine

Fico magoada por ver pela internet (e não só) tantas demonstrações de ódio entre dois países que se deveriam dar como irmãos. Eu sempre ouvi dizer que o passado ficou para trás e é para ser esquecido. Amigos diziam-me isso quando eu chorava por ter perdido um namorado, os meus pais diziam-me isso quando eu lhes lembrava algo que fiz ou disse anos atrás... Mas na verdade as pessoas dizem essas coisas, mas não fazem. Preconceitos todos temos - e eu não sou perfeita. Mas é o que fazemos desses preconceitos que nos define como pessoas de boa índole ou nem tanto.

 

Aqui em Inglaterra estamos habituados a conviver com várias nacionalidades e várias etnias. Tolerância é palavra de ordem, e o engraçado é que aqui temos de ser unidos mesmo, porque também há pessoas ignorantes que se acham superiores, na sua maioria Ingleses. O facto de sermos imigrantes dá-nos uma perspectiva das coisas que não teríamos se estivéssemos em Portugal.

 

Quando eu disse à minha família que me ía casar com um Brasileiro, eu sei que muitos inicialmente não aprovavam da minha decisão. Foram precisos alguns meses, uma ida ao Brasil e outra a Portugal para que as coisas começassem a ser aceites e a cair na normalidade. Na minha cabeça, não entendo o porquê desse estigma contra o brasileiro, e o que mais me irrita é mesmo colocarem toda a gente no mesmo saco.

 

As pessoas não são todas iguais, e se há criminosos Brasileiros, também há criminosos Portugueses. O que não podemos assumir é que porque os há, todos o são. Nós temos muito a mania de tratar os outros de forma inferior, e de nos acharmos os maiores - só por isso nós já estamos a ser pessoas inferiores. Eu não quero dar aqui lições de moral a ninguém, mas após 6 anos a morar em terras Inglesas, eu já noto a diferença de pensar e agir entre mim e a minha família e amigos, por exemplo. Eu sou muito mais tolerante e já há certas coisas que não me chocam - mas chocariam a eles, quase de certeza.

 

Viajar abre os horizontes das pessoas, faz com que estas ganhem uma consciência de que somos realmente todos diferentes, mas no fundo somos todos humanos mesmo, com sangue quente a correr nas nossas veias, e por isso mesmo merecemos todos ser tratados de forma igual independentemente do credo, religião ou nacionalidade.

 

Num jogo de futebol, por exemplo, as coisas deviam ser celebradas com amizade e alegria: ninguém naquele jogo ía perder, pois ambas as equipas já estavam seleccionadas para os oitavos de final. Por isso, quando vi e ouvi das barbaridades entre Brasileiros e Portugueses em Portugal após o jogo, fiquei revoltada.

 

Aqui em Londres o clima foi de muita alegria e celebração. Claro que houve sofrimento de ambas as partes também, mas ninguém culpabilizou ninguém de nada. Nem precisava, já que o jogo terminou em empate. Como estou casada com um Brasileiro, dou-me muito mais com a comunidade Brasileira aqui em Londres - mas em 6 anos de vida aqui, os meus amigos portugueses contam-se pelos dedos... Já os Brasileiros, ultrapassam em vasta maioria o número de portugueses com quem eu me dou por estas bandas.

 

Por isso chega de ódio!!

Duas nações irmãs dever-se-íam unir contra o mundo e não contra elas próprias.

 

Nos jogos do Brasil eu vou continua a apoiar a equipa Brasileira de camiseta azul ou amarela, como tenho feito até hoje. Nos jogos de Portugal, vestirei a minha camiseta Portuguesa para dar sorte. Tenho orgulho de ser Portuguesa, mas tenho muito mais orgulho de ser uma Portuguesa ENTRE Brasileiros.

 

Eu e o meu marido

 

Eu e a minha cunhada

 

21
Jun10

Preciso de uma mudança... ou talvez só de férias.

Little Miss Sunshine

Já estamos no fim de Junho, e com o fim das aulas - e apesar de ter tido umas semanas um pouco corridas - nesta altura as coisas estão mais calmas. Passo muito mais tempo em casa, já que só me pagam à hora e muito do trabalho pode ser feito pelo computador. Não vale a pena ir até ao escritório porque acabo a fazer muito menos indo lá do que ficando em casa frente ao computador. Neste tempo que tenho estado em casa tenho pensado bastante na minha vida, no futuro, fazendo o balanço de mais um ano que passou. Por esta altura o ano passado eu estáva a mudar-me para o meu apartamento, solteira, ainda atrabalhar como consultora, e sem ideia do que me reservava o futuro.

 

Hoje, um ano depois, estou casada, a morar no mesmo apartamento mas com o meu marido, e a trabalhar como professora -algo que eu sempre quis fazer. Só que não me sinto totalmente bem. Não sei se é a falta de Portugal e do Verão português, ou se é mesmo a minha inactividade presente quando comparada com o stress do ano lectivo... Na verdade acho que são anos a mais de Hatfield, e uma vontade de mudar de ares para uma zona diferente. Não necessariamente mudar de país, mas desde que tenho começado a ir a Londres mais frequentemente, que tenho uma vontade grande de me mudar para mais perto de lá...

 

E agora entendo a razão da minha amiga Sara em querer mudar mais perto de Londres - apesar de gastar tempo a conduzir para o trabalho e voltar, ela está perto de tudo. Londres tem teatros, saídas à noite, coisas para fazer durante o dia e durante a noite. Aqui em Hatfield eu vou para a cama às 22h30, e fico com os olhos pregados no tecto à espera do sono, enquanto o marido já ressona ao meu lado, e  eu vou-me lembrando daqueles tempos em que saír à noite para mim era um ritual quase certo, após a janta, para o café da praxe com os amigos.

 

Pergunto-me muitas vezes se isso é sinal dos tempos... será que estou a envelhecer, e que por isso saír à noite deixou de ser tão necessário?...  Eu que sempre achei que estar entre amigos era importante, mesmo que às vezes isso me deixe meio desconfortável, porque por vezes a minha capacidade de socializar com os outros é estupidamente diminuida quando me encontro com falta de auto-estima;

 

Ou será que isso é sinal de que vivo numa terriola à beira de Londres plantada, e por isso pouco ou nada há para se fazer aqui (tirando ir para o pub, comentar os últimos resultados do futebol com uma cerveja ou cidra na mão - e isso eu recuso-me a fazer...). E depois é o trabalho, que está incerto. O meu contrato é limitado e a minha preocupação também se centra no facto de não ter qualquer vínculo permanente com a universidade, e estar sujeita a um 'bye bye' a qualquer altura... Mas até que ponto me devo eu sujeitar a lamber botas  e deixar de ter vida pessoal só para conseguir um lugar ao sol...? Acho que mereço um pouco mais que isso...

 

E como posso pensar sequer em comprar um carro ou construír família se não tenho uma estabilidade profissional? Será que vale a pena isto tudo? Num país que se prepara para apertar o cinto para tentar gerir o grande deficit, a libra já não está tão forte e eu sinto saudades do sol e do calor... Talvez só precise de férias, mas acho que preciso de uma mudança maior e mais permanente...

18
Jun10

Passeando pelo centro de Londres

Little Miss Sunshine

Este dia tem sido só altos e baixos. Desde o marido meter gasolina numa carrinha que só usa diesel, ate eu sair atrasada de casa para uma consulta com o oculista (vou ter de usar óculos para ler), ja aconteceu de tudo um pouco. O que vale e que quando venho a Londres tenho sempre a sorte de poder almoçar no meu restaurante Japonês favorito: Itsu. Acabei por comer um prato de comida bem grande com sopa de Miso (tudo vegetariano), e agora ando a passear enquanto o marido não sai do trabalho.

 

Estou neste momento na loja da Apple em Oxford Street. Já brinquei com o iPad, e neste momento eu queria mesmo era carregar o meu iPhone, porque a bateria dele não esta nada famosa, so que estou com vergonha de atarraxar o USB aqui no laptop. Estou neste momento a escrever do MacBook Pro 13-inch. Tenho de confessar que eu não sou nada aficionada dos computadores da apple. Eu sou muito Microsoft ainda, mas tenho de tirar o chapeu aos senhores da apple. Fizeram um bom trabalho com este laptop.

 

Vou passear mais - ate logo!

 

09
Jun10

Voltou a chuva... Mas esta semana promete!

Little Miss Sunshine

Esta semana tenho estado cheia de trabalho. Não pensem que lá porque as aulas acabaram, e eu não vou ao escritório todos os dias, que as coisas não são feitas! Pensava eu que ía entrar numa fase mais calminha (e já stressava com a falta de pilim que  essa fase de 'descanso forçado' me traria) mas afinal parece que o trabalho triplicou por estes dias...  Desde o princípio do mês que acordo todos os dias cedo, tomo o meu pequeno almoço reforçado (bolas, esqueci-me de tomar as minhas vitaminas hoje!!), e sento-me frente ao computador, muitas vezes horas a fio, e sem pausas para almoço ou algo que se pareça com tal.

 

Mandar emails é a minha especialidade. Às vezes até acho que essa é que devia ser a minha profissão principal, porque passo o dia a tomar decisões e a resolver questões e problemas que me chegam minuto a minuto ao meu 'Outlook'. Como sabem, a minha vida não gira só à volta das aulas, e quando as aulas terminam claro que temos coisas para fazer, nomeadamente preparar as aulas para o semestre que vai começar em Setembro. Só que durante o Verão eu ainda estou a coordenar os cursos internacionais, e agora, com mais um partner a bordo, as preparações para o semestre que vem são urgentes e ocupam muito do meu tempo.

 

Mas enfim, quem corre por gosto não cansa, e agora há até a possibilidade de causar um brilharete lá na Universidade. Tenho de produzir um documento de feasibilidade para um projecto que incorporará a unidade onde eu trabalhei. A ter pernas para andar, este projecto poderá dar-me o tal contrato de trabalho que eu tanto quero e ainda a possibilidade de gerir mais um curso/ acreditação profissional.

 

Esquecendo agora a minha vida laboral um bocadinho, este mês começou bem em termos pessoais, com muitas datas importantes a assinalar!

 

  • Dia 4, o meu cunhado fez anos (Parabéns!!);
  • Dia 6 o meu irmão e a minha cunhada celebraram um ano de casados (Parabéns!!); e
  • Ontem, dia 8, o meu pai fez anos também (Parabéns!!).

 

Hoje à noite, eu e o meu marido vamos começar a celebrar o aniversário dele umas horas mais cedo com o concerto da Blondie (ganhei os bilhetes num concurso da universidade!!), e depois amanhã, dia 10, vamos juntar a família aqui para celebrar em grande os 35 anos do maridão. Antes disso ainda temos de ir ao consulado Brasileiro fazer a inscrição dele lá, e no final da semana vamos mandar os papeis para o EEA2, o visto de residência dele.

 

No sábado, eu e a minha amiga Sara vamos ter um dia muito 'girly' com almoço e cocktails antes de SATC 2. Provavelmente, iremos atacar mais cocktails depois de sairmos do filme, para terminarmos o dia em beleza (e comigo a provavelmente ter de chamar o marido para me levar para casa...!)...

 

Como vêm, tenho andado ocupada. Pelo meio destas coisas todas, ainda contribui para uma reportagem que provavelmente sairá no Público esta semana, e tenho andado a ajudar umas pessoas com as leis de imigração daqui. Não sou uma grande conhecedora das leis, até porque não sou advogada, mas a minha experiência tem ajudado a perceber como funciona o sistema daqui, e isso muitas vezes é uma vantagem.

 

No fundo, tenho andado ocupada com muitas coisas ao mesmo tempo, o que já vem sendo hábito. Aqui neste país é importante saber um pouco de tudo, e meter o dedo em muitas tartes ao mesmo tempo (ok, esta é uma expressão Inglesa, e não soa lá muito bem em português....!), pois só assim se consegue uma boa reputação e conhecimentos que mais tarde podem levar a grandes oportunidades.

 

Na verdade eu ainda não perdi a esperança de ser 'caçada' por uma empresa ou universidade dos Estados Unidos. Por isso tento ao máximo ter toda a visibilidade possível e obter toda a experiência necessária para que um dia eu tenha o meu merecido 'big break'! Até lá vou fazendo aquilo que a vida me põe à frente, e nunca digo não a uma oportunidade, por pequena que me pareça.Nunca se sabe se daí não virá uma grande oportunidade, cheia de desafios e coisas novas!!

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