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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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22
Mar09

Existêncialismo Vs. Religião

Little Miss Sunshine

Hoje é o dia da mãe aqui, mas este ano resolvi seguir os dias da mãe e do pai portugueses... Por isso não houve postal para a mãe (ainda), mas houve postal para o pai no dia 19...

 

Hoje é um dia um bocado triste para mim, mas mais ainda para 4 miúdos, que perderam as suas mães famosas esta semana: Natasha Richardson (45)  e Jade Goody (27).

 

Mortes tão súbitas, de pessoas tão novas, deixam-me sempre pensativa quanto ao sentido da vida. Sempre tive um medo horrível de morrer cedo (não é à toa que tenho de ser empurrada para dentro de um avião cada vez que vou a casa!) . Há quem diga que esse medo existe muito provavelmente pela ausência de uma vida espiritual saudável... Talvez... Não vou dizer que sou uma religiosa devota porque não sou.

 

Não vou à missa desde os meus 16, altura em que decidi deixar de ser hipócrita. Tenho as minhas crendices em St António e na Nª Srª de Fátima, acredito em pedras com capacidades protectoras, acredito em algumas divindades indianas. Acredito naquilo que me faz bem - e há muito tempo que o catolicismo não me faz bem.

 

A minha igreja está cheia de incongruências, não evoluiu como a maioria das outras igrejas. Ainda instiga o medo da morte e do inferno, em vez de ensinar o dom da compreensão e celebração da vida. Acredito em muitas coisas que fazem parte da minha igreja, na vida depois da morte nem tanto.

 

Sou uma céptica, como o São Tomé. Até porque me revolta a falta de equilibrio  entre a permanente facada da morte e a breve e frágil existência humana. Não é justo. Não temos dizer na matéria. Acabamos. Ponto.

 

Sou muito científica nesse aspecto. Somos todos partículas de carbono. A nossa alma é fruto da nossa vida, e não sei se acaba ou se permanece eterna. Mas se acaba, é tudo um grande desperdício de tempo: trabalhar, juntar dinheiro, comprar uma casa...

 

E se há um Deus, então... Que Deus é o nosso que deixa crianças a morrer à fome? Que Deus é o nosso que deixa pessoas passar por coisas que nem lembra ao diabo? Uns dizem que faz tudo parte da nossa aprendizagem humana, terrena. É mesmo? Possa, que mal fizeram aqueles bebés que morrem prematuramente? Nem têm consciência para aprender lição nenhuma, qual é a explicação neste caso...?

 

A meu ver, o debate da vida e da morte é algo que nós tentamos ocultar todos os dias com a azáfama das nossas vidas. Todos nós teremos de passar por ela - eu, a minha gata Daisy, até na minha planta no escritório que eu salvei de morrer sequiosa... E para não tornarmos a nossa vida tão insignificante, acreditamos em qualquer coisa para que esta vida não se torne tão efémera e sem sentido. E isso, mais do que tudo, é o que me dá mais medo, porque nem sempre aquilo que escolhemos acreditar é o mais acertado.

 

Nestas coisas nunca teremos certezas. A ciência explica muita coisa, mas muita coisas está também sem explicação. Uma coisa é certa... Tenho medo de morrer, porque adoro a minha vida. Mesmo quando estou a dizer mal disto ou daquilo, a verdade é que tudo o que compõe a minha vida é mais do que perfeito, e não quero que acabe agora ou nunca.

 

Paz.

 

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