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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

24
Abr16

Azulejo

Little Miss Sunshine

''Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...''

 

Florbela Espanca

 

 

azulejo.jpg

 

20
Abr16

Sons

Little Miss Sunshine

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Há músicas que me inspiram e me motivam a escrever. Muita da minha escrita começa com uma música, e muitas vezes acaba com a mesma banda sonora. Quando estou triste oiço muita música. Os sons que escolho dependem do estágio de tristeza em que me encontro, mas são ajuda imprescindível, um caminho importante entre as lágrimas num olhar triste e o dançar alegre pela casa, sorriso estampado e coração cheio. Quando estou feliz também oiço muita música. Esses momentos de phone no ouvido ajudam-me a centrar as minhas ideias e a traçar objectivos para o futuro. Não é difícil sorrir num dia de sol, com música a tocar no ouvido e o calor do sol na nossa cara.

 

Ultimamente tenho ouvido muito Coldplay. A voz do Chris Martin sempre foi agradável de ouvir. Curiosamente, muitas das músicas de Coldplay estiveram presentes em momentos marcantes da minha vida, infelizmente nem todos positivos. Mesmo quando era miúda, menina de liceu ainda, abafava as minhas lágrimas na almofada a ouvir o 'By Night' da rádio cidade (quem se lembra? Quem ouvia?). No dia seguinte era como se eu tivesse dado um reset na minha alma e começasse tudo de novo. Esses recomeços são importantes ainda hoje. Fazer um reset de vez em quando dá-me a motivação para seguir em frente e deixar para trás tudo aquilo que faz mal, magoa e não interessa. Ás vezes é difícil aceitar que precisamos de desligar para podermos entender o que realmente importa manter na nossa vida...

 

Por isso, para mim, ouvir música é mais que sentir as notas a vibrar no ouvido. A letra das músicas também me diz muito, e quando há um ponto em comum entre a realidade e a letra, essa criatividade de alguém torna-se parte de nós... Torna-se a nossa banda sonora. E este fim de semana, eu decidi, vou passá-lo a dançar.

 

 

 

19
Abr16

Júlio...

Little Miss Sunshine

Quando era miuda, lembro-me de passar horas a ler livros clássicos. Muitos deles eram romances. Júlio Dinis terá sido talvez o escritor que eu mais lesse nessa altura, entre os teens e os twenties. Ainda hoje é um dos meus escritores clássicos favoritos. Não sei se não terá sido o retrato de família Inglesa esboçado por ele que me fez apaixonar por tudo o que era Inglês (com a excepção dos homens Ingleses, que infelizmente para mim, pouco ou nada têm de atractivo). Claro que a vida na sociedade Inglesa hoje não se compara com a sociedade Inglesa do Séc. XIX, mas muitos dos elementos sociais ainda se mantêm, e serão talvez uma das coisas que eu mais gosto neste país.

 

Quando vim para cá, vim com a força e determinação de quem não sabe nada da vida. Claro que passei por muitas coisas em Portugal que me prepararam para o que eu teria de enfrentar por aqui... Mas na minha ingenuidade, calculo que isso tenha sido das principais coisas a não me deixarem abater quando algo menos bom me acontecia. Vim para cá com o intuito de estudar e regressar para Portugal - o plano era simples... mas claro, como tudo nesta vida, até o plano perfeito tem buracos... Nunca contei gostar tanto daqui ao ponto de considerar uma vida aqui, fazer família, criar filhos... Entre vitórias, derrotas e alguns namorados, eu acabei por me deixar levar pela vida, e deixei-me ficar porque - acima de tudo - sou feliz aqui como nunca fui noutro lado. 

 

Olhando bem para trás, a minha vida, no fundo, não deixa de ser um pouco semelhante aos romances de Julio Dinis. Está cheia de encontros e desencontros, muito drama (porque o que seria da vida sem uma pitada de sal?), algumas lições de vida...  Basta ler os textos deste blog mais antigos... E tendo em consideração uma breve análise pessoal, tenho a certeza de que estou no meio do meu próprio livro... Neste caso, a personagem feminina principal (eu!) está agora...

 

...sózinha, a enfrentar os dilemas normais de uma mãe, com incertezas sobre o futuro, mas sempre batalhando contra a adversidade... Mãe corajosa e destemida! Mas (... e ESPEREM!...), esta criatura disfarça uma fragilidade natural, sempre se negando a amar em prol dos que mais dependem dela e porque simplesmente não há tempo... A vida corre depressa, e com duas crianças pequeninas, quase que foge por entre os dedos... Essas pequeninas joias, que são parte de si, são também o mais importante para ela... A atenção redobrada e constante é tão necessária que quando a sua face encosta na almofada, só há tempo para suspirar e para dormir...

 

(Normalmente é também para navegar no Facebook, e ler umas coisas no Daily 'Fail')

 

Mas a mensagem mais importante de se reter neste capítulo é esta... Porque não há tempo, é importante fazer - mais até do que dizer. As palavras hoje valem tão pouco... Se Júlio Dinis soubesse como hoje se dizem palavras vãs e sem qualquer sentido... Ele provavelmente teria escrito sobre isso também. Com o seu tom de juizo típico, assumindo quase um cargo de advogado do diabo, mas condenando ao mesmo tempo a tendencia desta sociedade corrupta de sentimentos, ele diria que, na verdade, somos todos voláteis e todos temos telhados de vidro. Por isso, hoje eu valorizo acções, atitudes, e essa é a lição que tirei das últimas semanas. Estou farta de mentiras, mudanças que nunca aconteceram, e um constante atirar de areia para os meus olhos. Há que haver claridade em todos os aspectos da vida.

 

Por isso não me digam palavras doces ao ouvido, não me prometam mundos e fundos, simplesmente não me digam nada. Eu não preciso disso. Quem é lutador, não tem medo da luta. Quem é corajoso, não se deixa abater com um precalço. Quem quer ser feliz, não espera que a felicidade lhe caia do céu, ou que lhe seja entregue numa bandeja - e,no fundo, agora é assim que eu sou e não espero menos que isto de quem me rodeia.

 

Porque... 

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Acima de tudo, sejam sempre sinceros com vocês primeiro.

18
Abr16

Liberdades

Little Miss Sunshine

Source:Favim.com

 

Olhei para o meu relógio hoje e vi que estava atrasada para ir buscar a minha filha mais velha. Quando estou no meu trabalho, sinto-me livre e feliz. Não quero dizer com isto que não sou feliz quando estou com as minhas filhas, mas há 5 anos que estou a trabalhar a meio gás e a pôr projectos importantes em stand-by por falta de tempo, de apoio, sei lá do quê! Agora que a mais nova está com quase ano e meio, e eu estou finalmente ao comando da minha vida e das decisões da minha vida, sinto que um mundo de oportunidades se abriu para mim mais uma vez.

 

Sou grata por ter amigos à minha volta que me dão coragem para enfrentar os meus medos, e sou grata por poder pagar as minhas contas - uns meses com mais dificuldades que outros - e poder dar às minhas filhas um exemplo de uma mulher inteira, que pode dar apoio maternal e ainda desenvolver e expandir uma carreira profissional com algum sucesso e reconhecimento. 

 

Posso não ter liberdade para ir a festas, ou estar exausta para saír e jantar fora (muitas vezes porque a mais nova dormiu mal na noite anterior), mas tenho a liberdade para decidir o que quero e o que não quero da minha vida. Posso nem sempre acertar com as minhas escolhas, mas aprendi que com elas (e com cada adversidade) eu tenho mais uma razão para prosseguir em frente, confiar nos meus instintos, afiar as garras e ir à luta.


A vida não espera nem pára... e eu tenho os meus sonhos e os meus projectos pessoais. Já dei muito tempo à casa, muitos desses projectos estiveram mesmo muito tempo à espera de serem concretizados... mas chegou finalmente a hora de começar a fazer algo por mim e para mim, especialmente porque isso me vai garantir um futuro decente para as minhas filhas. Por isso vou sem medo, aceito a minha liberdade com confiança e certeza de que o que está para vir será sempre melhor do que tudo o que já passou.

14
Abr16

Noite em branco...

Little Miss Sunshine

Hoje é daqueles dias que nem quatro (sim, 4!) bicas ajudam a abrir os olhos. Quem me manda pôr a ver filmes na cama quando a mais nova está claramente a passar por um pico de crescimento, e por isso acorda às 2 da matina como se fossem 7, para testar novas metas de desenvolvimento... Estou de rastos. Para complicar, hoje é o meu ultimo dia oficial de aulas para este semestre e precisava de alguma lucidez mental, afinal não é fácil discutir economia quando se está com um deficit de sono.

 

Mas uma crise não vem só, e nas últimas semanas a minha maior crise tem sido a falta de educadoras locais... Não consigo encontrar ninguém para ir buscar a mais velha à escola e ficar com ela até ás 5h30pm. A escola aqui acaba ás 3h10pm, e o meu horário de trabalho acaba ás 5pm. Resumindo, até agora não foi tão problemático, porque ela está de férias, e eu também (se bem que parcialmente, porque esta é a ultima semana de aulas na college antes dos exames)... mas assim que a escola começar para a semana, vou ter de saír do meu trabalho mais cedo todos os dias, o que quer dizer que não vou conseguir rentabilizar nenhum dia como deve de ser e ainda vou ter de trabalhar fora de horas para compensar as horas que não passo 'in situ'.

 

Nesta minha aventura de 'after school care' descobri que há um gap no mercado para quem queira trabalhar em childminding. Pelo menos na minha vilazita... Parece que as educadoras pós-escola estão todas ocupadas e como tal, não fazem 'pick-ups' na escola da minha mais velha. Por isso só me resta uma opção, que é mudar a V. de escola. E ontem coloquei o pedido de transferência, para me dizerem que os clubs pós-escola estão a operar uma lista de espera de mais de 40 crianças.

 

Como é que eu vou poder voltar a trabalhar a tempo inteiro desta forma? Alguém me ilumina? Claro que só há mães a querer ficar em casa! Já compreendi que o maior problema de se voltar ao trabalho após a maternidade, neste país, é o 'childcare': quando não são os custos proíbitivos, é a falta de pessoas qualificadas. A sério, e eu a pensar que com a escola as coisas íam melhorar. Como me enganei...

 

Este país ás vezes desilude-me...

 

07
Abr16

Chaos...

Little Miss Sunshine

Esta semana tem sido pontilhada por intensos dias de trabalho e pouco tempo com as minhas meninas. A mais veha está nas famosas férias da Páscoa e está com o pai - Férias de Páscoa que de Páscoa nada têm, porque começaram uma semana depois da dita época festiva. A mais nova continua a ir para o infantário nos seus dias normais. Pelo meio fui oferecida uma oportunidade na universidade para trabalhar a tempo inteiro e esta semana resolvi testar esse conceito já que há mais de 5 anos que trabalho a tempo parcial (não por minha escolha, necessariamente, mas porque não tive outra opção depois das meninas nascerem. Era para ser temporário, mas o preço dos infantários neste país estão mais caros que as rendas de aluguer - com isto eu estou mesmo a dizer para cima de £800 por um lugar num infantário a tempo parcial. A pouca flexibilidade laboral do pai delas também não permitiu que eu voltasse ao trabalho em força mais cedo, uma vez que não tive muitas ajudas enquanto estivemos juntos por ele estar quase sempre fora a trabalho).

Agora que estou a fazer algo por mim, sózinha, e que tenho uma base de apoio razoávelmente estabelecida, estou mais que pronta para voltar ao activo porque preciso de mais dinheiro mas também porque quero alcançar os objectivos que tinha antes de decidir casar e ter filhos, por exemplo, tirar de vez o meu doutoramento e começar a fazer pesquisas e publicações frequentes sobre os temas que mais me interessam em macro-economia. Não vai ser fácil, mas também não tenho ilusões de que vou conseguir fazer tudo de forma ligeira e descomprometida. As minhas filhas estarão sempre em primeiro lugar. Eu sei que quando elas estiverem doentes eu vou perder dias de sono e de trabalho. Eu sei que quando elas precisarem de mim eu vou ter de pousar os livros e investir em tempo em família. Estou habituada a sacrificar-me, mas tornei-me perita em organisar a minha vida com elas e sem elas. Os meus sonhos e objectivos vão continuar a estar lá, mesmo que eu demore um bocadinho mais a lá chegar - afinal, coloquei tudo em espera na prateleira do meu futuro quando quis ser mãe. Há 5 anos que tenho andado a marcar passo à espera de poder começar de vez a marchar e a seguir em frente. Agora chegou a hora de ser um pouco egoísta, deixar de cuidar tanto dos outros e cuidar mais de mim.

Não vou deixar de ser boa mãe por isso. Pelo contrário, a realização profissional faz-me bem, alimenta o meu ego e a minha auto-confiança. Faz de mim uma pessoa mais feliz. E se isso significa eu ficar mais equilibrada emocionalmente, também significa que vou poder estar lá para as minhas filhas com muito mais paciência, mais amor, sorrisos...  Acima de tudo, deixa-me satisfeita o poder dar-lhes o exemplo de que o lugar de uma mulher é onde ela quiser, e de que a maternidade - quando bem gerida e devidamente apoiada - não precisa de criar um caos na nossa vida pessoal e profissional, nem mandar os nossos sonhos para as urtigas.

 

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