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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

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27
Abr10

Teimosiiiaaaaaaaaa!

Little Miss Sunshine

Esta semana não tem sido fácil para mim. Ando deprimida, triste e revoltada com tudo e com todos. Não me apetece sair de casa, apesar de estar sol e tempo ameno. Não tenho vontade de fazer os meus trabalhos, de sequer abrir a boca para exclamar ai ou ui. Há alturas do dia em que eu dava o Mundo só para me rodear das minhas almofadas e de silêncio, para poder dormir e esquecer que ainda hoje só é terça-feira. Meus Deus... Nem a meio da semana estamos ainda. Estou em pânico autêntico...!

 

O meu marido, como sabem, está em Sheffield. Foi para lá este Domingo por motivos de trabalho e por lá vai ficar até ao próximo Domingo... passou a semana passada toda a trabalhar, eu só o tinha para mim à noite, na maioria das vezes nem o tinha sequer porque ele chegava cansado, comia e dormia.Não queria que ele fosse. Quando namorávamos ele só precisou de ficar fora uma semana... Que história é esta de ter que ir para o Norte agora semana sim semana não? Que coisa mais sem sentido, ainda agora casámos, não é altura para ele ficar longe de casa... esta é a altura em que deviamos ficar mais juntos, desfrutar do clima de lua de mel que (ainda) existe (mas não sei se vai durar muito mais, porque isto está a acabar comigo). O primeiro ano de casamento é um ano de ajuste, um periodo de construção de alicerces, em que ambos trabalham na relação para que ela tenha os alicerces bem fundos e seguros para o futuro...

 

Ou assim pensava eu. Pelos vistos, não é bem assim.  Este ano já começou meio conturbado, e com estas ausências eu sinto-me vulnerável e sózinha. Os meus amigos dizem-me: 'Não sejas assim, ao menos ele tem um trabalho... bla bl bla...'!! Pois é, tem um trabalho que não lhe dá segurança, porque nem contracto tem. Um trabalho que não lhe paga contribuições para a segurança social daqui, o que quer dizer que se ele tiver um acidente de trabalho, o patrão bem pode esfregar as mãos de contentamento porque não lhe dá direito a indeminizações ou mesmo ajudas do Estado. Realmente, ele tem um trabalho sim, mas na verdade não é um trabalho que dá futuro ou que dê estabilidade. É um trabalho que dá dinheiro. Ponto.

 

Não gosto que ele esteja longe, não gosto, pronto! Estou a ser teimosa, bem sei, mas estou mesmo farta desta distância estúpida que teima em nos separar volta e meia... Meses de separação após o casamento, e agora semana sim, semana não, ele vai ter de ir para o Norte a trabalho e eu fico para aqui, de olhos tristes e sem espírito para fazer mais nada, achando que na verdade isto é uma conjura dos céus para me magoar. Só pode.

 

Esta semana então...! Uma semana de stress e de alguma tristeza também. Após 12 semanas, eis que as aulas acabam, e com isso começa a minha preocupação em relação ao meu futuro naquela Universidade...Não é só o que me custa ver os meus alunos seguir os seus destinos, onde quer que eles sejam, é também o fim de contractos e a diminuição de trabalho, que normalmente significa diminuição de dinheiro.

 

E os cursos de formação profissional? Parece que têm todos os prazos nos mesmos dias ou semanas, e eu ando num stress entre correcções de trabalhos/ exames e os meus projectos. Tentar driblar tudo isto está a deixar-me doida. Sinto falta da minha família, do apoio dos meus amigos, de estar no meu país, num ambiente que não me seja tão hostil nem acarrete tantas responsabilidades e stress... Se eu não amasse tanto o meu trabalho...Já tinha partido faz tempo, ido para outro lugar, um lugar que não me seja hostil, um lugar que eu já chamei casa um dia.

 

Com tudo isto em cima de mim até parece que perdi a alegria de viver. Sinto-me tão sózinha. Só quero mesmo enrolar-me no duvet, fechar os olhos e acordar na semana que vem. Nenhum projecto me alicia, nenhuma conquista me faz sorrir. Só quero chorar, e nem os meus colegas hoje me conseguiram animar. Amanhã tenho uma reunião com a minha chefe, para definir os meus cargos lá na Business School, e eu estou com um mau pressentimento. E nem posso falar com o meu marido, porque estou tão deprimida com a ausência dele que achei por bem cortar todo o tipo de contacto para não doer tanto...

 

Uma estupidez minha, claro está, porque com raiva e teimosia acabei por dizer coisas que não queria, e acabei por me magoar ainda mais. Nesta altura só peço paz na minha vida, e menos lágrimas, porque a continuar assim... não sei... estou perdida de só...

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