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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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11
Mar11

Ainda não há novidades...

Little Miss Sunshine

A bebé parece que quer ficar no quentinho mais uns dias. Para mim isso tem-se revelado complicado: durmo muito mal, ou porque a barriga está no caminho, ou porque a azia é descomunal, ou porque tenho de ir à casa de banho a cada 2 horas! Passo o dia a tentar recuperar as horas de sono perdidas, mas sem sucesso, porque eu não durmo de dia (não consigo mesmo passar pelas brasas, o que é às vezes bastante irritante), e depois tenho a lida doméstica para fazer (lavar roupa, aspirar, limpar o pó, fazer almoço e jantar, etc). Claro que pelo meio gosto de me sentar no meu sofá super comfortável e ver os meus programas favoritos, levar as coisas com calma e se estiver de boa disposição (e bom tempo) levar o cão à rua e apanhar um pouco de ar.

 

Isto de estar grávida tem as suas vantagens, não vou dizer que não, mas tenho de ser sincera: no geral, acho que não vou ter saudades. Fui sempre muito incompreendida, tive uma gravidez atribulada, e as coisas não melhoraram muito com o tempo: continuo a superar desafios, alguns bem pessoais. No geral, sempre me senti muito fragilizada e à mercê das minhas hormonas. A minha família está longe e acho que isso também não ajudou muito. Por isso, quando eu tiver a Victória nos meus braços, vou respirar de alívio:

  1. porque vou voltar a ser eu, normal, com a abilidade de andar, dormir e comer sem parecer um ET;
  2. porque vou deixar de ser grávida para passar a ser mãe: outras responsabilidades, outros desafios, mas menos físicos que os que nesta altura encontro pela frente.

Há muita gente que adorou está grávida, a minha mãe por exemplo é uma delas - e teve quatro filhos! Apesar do meu balanço ser no geral positivo, não é um estado de graça que eu considere suficientemente agradável. Muitos medos, muitas incertezas, muito choro e angústia, muitas coisas que eu não consigo controlar, muitos sintomas físicos que são tudo menos agradáveis.

 

E ainda me falta o parto. E vou ser sincera, eu fiz um plano de parto, na minha cabeça as coisas estão bem definidas, mas todos sabem - e especialmente aquelas que já passaram por isso - que parir uma criança é algo instintivo,  que acontece quando tem de acontecer e do qual não temos controle.  O nosso corpo está preparado, mas por mais que eu leia, veja séries e saiba aquilo que eu quero, esta é uma coisa que eu não conheço, que é estranha e nova para mim. Eu vou ter de ser forte e compenetrada psicológicamente, e para aqueles que me conhecem, eu sou uma control - freak, o que não ajuda muito... e acredito que o parto vá de certa forma modificar a minha maneira de ver o mundo, mas vai também assustar-me como o caraças.

 

Na verdade, desde que eu entrei nas últimas semanas de gestação que não penso noutra coisa, e serviu-me de muito ler e ver videos e clips e tudo o mais, porque informação é, para mim, segurança. Quanto mais sei, mais me convenço de que este processo natural é isso mesmo, um processo natural, e portanto vou ter de me deixar levar pela minha natureza e seguir os meus instintos. As pessoas à minha volta geralmente não entendem porque é que eu tenho de saber tanto, mas eu não levo a mal. Eu é que tenho de saber. Eu é que vou parir. E porque sei, o que sei, porque aprendi o que aprendi, sei que vou poder escolher o melhor para a minha filha. Para mim isso é tudo o que me interessa. O resto do mundo agora passou para segundo plano, já nada é relevante como antes - O meu mundo agora, e daqui para a frente, vai ser a minha filha. 

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