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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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22
Set06

Politiquices...

Little Miss Sunshine

Li o artigo da Aragana com entusiasmo, e achei-o muito bem escrito... mas tenho que ser sincera - eu sou pessimista por natureza, e achei o artigo demasiado pessimista. É certo que para o comum cidadão, a política sempre esteve rodeada de escândalo e corrupção... mas há excepções à regra. A corrupção não se estende a todos e só são corruptos aqueles que o escolhem ser, infelizmente porque é o caminho mais fácil e os tugas nunca foram de seguir o caminho das pedras... A não ser no que toca à inabalável fé religiosa. 

As coisas realmente mudaram desde o 25 de Abril e desvalorizar esse acontecimento é um pouco angustiante... Mas eu respeito o ponto de vista da autora... Mas a não esquecer, muita gente morreu pela causa, muitos estiveram presos e longe da família antes da revolução... É parte da nossa história e identidade. O 25 de Abril não nos deu só liberdade. Deu-nos uma instituição de poder flexível, uma estrutura de evolução que está ainda em optimização. Não podemos esperar que TODAS as coisas apareçam feitas. O país é enorme, por muito pequeno que seja aos olhos da Europa. Temos "n" cidadezinhas que precisam de estraditas e escolitas e coisitas que custam muito dinheiro.

Infelizmente não somos um país de grandes recursos. A começar pelas pessoas que não têm qualquer formação cívica, passando pelos fogos que devastam as nossas florestas ( e que são uma consequência da falta de civismo que o cidadão comum tem), pelos fracassos na nossa agricultura e pelas falências nas nossas fábricas... o que temos para nos dar dinheiro, para poder construir as casinhas, as escolinhas, as estradinhas?

As pessoas gostam de arranjar bodes expiatórios para tudo, e sempre foi assim. A culpa foi do vizinho que deixou a porta aberta e o gado fugiu; a culpa foi da mana que tirou o espelho do sítio; a culpa foi do tio Jaquim porque estava embriagado e foi contra o poste... Na nossa vida do dia a dia, aprendemos a culpar os outros e a não entender a nossa própria culpa presente na nossa inércia, no nosso alheamento da sociedade.

Com a política é isso mesmo que se passa. Eles (políticos) estão lá, nós não. Eles ganham rios de dinheiro, nós não. O que estão eles a fazer? Para o comum cidadão, a resposta seria NADA, porque para o comum cidadão, normalmente alheado da vida política, é mais fácil culpar o governo pela sua própria inércia, a qual muitas vezes não existe na vida política.  Porque a ignorância e a falta de motivação para a mobilização popular se perdeu, o bode expiatório é aquele que tem o poder que nós não temos, o dinheiro que nós não temos e a vida que nós não temos.

A percentagem de presenças nas urnas de voto é uma vergonha. As pessoas preferem ir à praia, viajar, passear o cão a perderem 5 a 10 minutos para irem escolher o lider político que mais defende as suas ideias. Não podemos estar todos de acordo, mas podemos estar 80% de acordo e para mim isso faz toda uma diferença. É parte da nossa identidade votar nos partidos e nas pessoas ou não votar de todo. É parte da nossa identidade querer mais e melhor do que já temos e criticar os outros que têm tudo o que nós não temos mas aspiramos ter.


Enfim... somos um povo contento-descontente. Isso da corrupção e cenas assim há em todo o lado e é normal que nós também tenhamos alguma... mas pelo menos não nos lavam a consciência, como muitas vezes sucede na América ou aqui mesmo, no Reino Unido. Já tentaram gerir um país? Pois, eu também não. Vi o meu pai tentar gerir uma câmara municipal, e acreditem... foi complicado - e ele nem sequer era o presidente! Quanto mais um país.

É preciso mudar atitudes. Quem não está bem, tem o poder de mudar através do seu voto. Quem continua a não estar bem, pode sempre fazer como eu fiz... mudei de país.

Jokinhas.

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