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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

20
Out06

O meu mundo turbulento...

Little Miss Sunshine

Sou complicada! Pois sou, porra. Qual era a graça de ser demasiado simples? Eu sei como sou - vivi estes anos todos a levar comigo mesma, escondida na solidão dos meus pensamentos, poucas vezes oportunos, muitas vezes ilógicos.

Sou uma pessoa como tantas outras, as mesmas aspirações, as mesmas vontades e desejos, os mesmos medos e inseguranças... Mas será que alguém me compreendeu para além de, talvez, os meus pais?

Não sei. Duvido até. Tive muitas paixões, muitos amores que me feriram a integridade física e psicológica. Não sei porque teimei sempre em viver numa bolha côr-de-rosa, a acreditar que um dia... talvez um dia...

O dia passou a semanas, semanas a meses, meses a anos e nada. A insustentável leveza do meu próprio ser passou a ser ainda mais insutentável e eu passei a carregar nas costas o peso maior da minha responsabilidade: ter de viver sózinha.

Dilema que nem eu sei como resolvi até hoje, ou como continuo a resolver - verdade seja dita. No remanescimento do meu ser que ainda me resta, perco motivações e aspirações em troca de um minuto de paz... Não! Um segundo só basta.

O corropio da minha vida raramente me permite olhar para trás em busca de uma análise constructiva de vida/ experiência passada. Mas às vezes até paro para pensar nessas coisas e assusto-me logo a seguir. A vida tem pouco sentido - julgo eu pela aparência das coisas.

A vida tem o sentido que nós lhe damos... A quem eu ouvi dizer isto já não me lembra, mas alguém me disse um dia, e eu, na minha galhofice marota de miúda, enterrei-o bem no meu sub-consciente, talvez já com a consciência de que mais tarde me faria algum sentido... Ou talvez o sentido se perdesse no tempo.

Mas não perdeu e cá estou eu a relembrar, naqueles momentos menos oportunos da minha vida, quando as lágrimas se enchem de coragem e espreitam cá para fora, só para sentirem a brisa da noite que suavemente toca a minha face e os meus cabelos.

Da janela do meu quarto pouco vejo. Umas luzes, umas sombras e umas conversas, todas estas coisas alheias a mim e eu alheia a elas - apesar de as ver, eu não lhes dou sentido e permanecem coisas que são e sempre foram.

Não entendo o que tenho de aprender. Juro que muitas vezes sinto que os céus me estão a castigar a alma por alguma maleita que eu terei feito no passado. Sinto necessidade de beber um sumo de vida nova todos os dias, como se o meu pequeno almoço não fosse suficientemente rico em vitaminas.

Paciência... A minha. Tem sido posta à prova - e eu chumbo todos os testes. Quando me fizeram, talvez os meus pais não tivessem tido a paciência suficiente para me fazerem, e no desespero de amor lá nasci eu, com pouca paciência até para o sexo.

Pouca paciência para ouvir. Para entender. Para perceber. Fácilmente acuso os outros daquilo que eu própria não tenho e entendo que às vezes é preciso mais, mas a desculpa é sempre o somatório que eu acrescento à realidade. O resultado é bem mais obscuro do que aquilo que eu quero realmente transparecer e acaba a noite em discussão porque isto, ou porque aquilo.

Não tenho paciência para esperar. Quero já. Quero agora! Então bolas! A vida é por demais curta, estou aqui estou com 30 anos e ainda quero fazer tanta coisa e já sinto que o tempo me foge sem eu dar por isso. Mete-me medo este corropio que é a nossa vida.

Naqueles momentos raros que paro para pensar na vida dos outros, sem querer toca-me que a minha vida não estagnou e que se eu quiser tirar algum proveito dela, tenho de começar AGORA! E é talvez tarde, porque os vícios da responsabilidade me tiraram o amor e o humor do coração. Talvez eu não saiba sequer o que amar é, porque vivi sempre na esperança errónea de que o teria encontrado com cada homem que eu já dormi. Ou que dormiu comigo. Não sei.

Isto de projectos todos os temos. Amores - dizem alguns - passamos a vida a ter muitos desses também, mas é raro permanecerem. Mesmo nos grandes amores, chega a uma altura em que a relação não é mais que uma amizade com privilégios de cama, e disse! (Quando os há!).

Eu tive um grande amor que deixei fugir, talvez esteja com vontades de experimentar mais e deixar fugir este também - medo! Não sei de nada, nesta altura a desmotivação lactente no seio da minha própria justiça mete-te um pouco de raiva. Aliás, a falta de entendimento e a desresponsabilização do próprio conforto me mete raiva. Será tão difícil entender que eu gosto de estar em controlo? Que se eu não estiver ao controlo da minha vida, que este barco anda à deriva!?

E os portos seguros? Não caiem do céu, nem aparecem no meio do mar! A não ser, talvez, um oásis, originado por uma alucinação fatal de falta de algo. Viver... (suspiro)... Não é fácil. Não é fácil não... Por isso não me chamem de complicada. Eu sei que sou complicada, mas acreditem, a vossa vida ainda é mais!  

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