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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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31
Out06

Halloween aos berros!

Little Miss Sunshine

Hoje é dia ( e vai ser noite) de Halloween. E começou mesmo bem, com o gajo de baixo a fazer barulho com o raio da música dele às 7h30 da manhã... Levou logo com uma sms torta, que é para não andar com as tosses.

Eu juro que ando azeda como o raio, talvez seja devido ao sumo de toranja que tomo todos os dias, não sei. Facto é que ando azeda. Azeda, revoltada e muito, muito frustradita. Uma das razões (senão mesmo A RAZÃO maior de todas) é o meu namorado. Já estamos juntos vai para 5 meses, e moramos juntos há um mês e este gajo ainda não me conhece minimamente.

Deixa-me papeis de yogurte na mesa de cabeceira, não muda UM SACO de lixo, não lava UMA MÁQUINA de roupa e pior que isso tudo, não me ouve. Mas não me ouve mesmo.... (suspiro). E isso deixa-me triste, triste na alma mesmo. Ele não fazer as coisas é como o outro - já os meus irmãos homens não faziam, por isso eu estou habituada... resmungo um bocadito, canto um fadito de "a minha vida é tããão complicada" e pronto, assunto arrumado!

Mas o problema não é esse (ou não é só esse). O que me mói é o facto de eu tirar o coração cá para fora, dizer-lhe o que penso e o que gostaria de ver, e chegar à constatação de que metade das minhas palávras ele não percebeu... e pior... não me pede para repetir por isso vai perceber menos ainda.

E depois diz-me que não pergunta para eu repetir, senão eu desato a gritar, e vai disto! E eu só olhei para ele, e comecei a gritar de tal maneira que levei  tudo atrás. Tudo o que estava engasgado há tempos veio cá para fora e quando ele bateu com a porta de maneira delicada, depois de beijar o edredón com que eu me cobri, ainda ouviu uns grunhidos de má educação ao quadrado - esses sim desconhecidos para ele, mas muito conhecidos dos tugas.

Eu sempre achei que era a egoísta da relação, mas começo-me a aperceber de que há vários tipos de egoísmo e o meu não é dos piores. Aos poucos comecei a trocar "meu" por "nosso", "eu" por "nós" e agora é raro cair na ratoeira do egocentrismo (mas ainda caio de vez em quando). Modifiquei hábitos, costumes, maneiras de viver, comecei a aprender coisas da cultura dele para me aproximar ainda mais dele, entender a maneira de pensar dele e a a maneira de estar - enfim, tudo para quebrar o abismo de culturas que existe entre nós.

 Ele nem uma palávra de português mostrou interesse em aprender. Não o vejo querer saber coisas do meu país, da minha infância, coisas que fazem parte dos meus hábitos e que, ao fim e ao cabo me definem como a pessoa que sou. Somos dois estrangeiros a comunicar com uma lingua que também não é a nossa e a viver num país que tem mais de cultura dele do que minha (a não ser que vá para os lados de Stockwell). Ele não me entende, e no entanto eu fiz o esforço de aprender pedacinhos da cultura dele para tentar percebê-lo. E ele?

Amigos, como sabem, ter paciência não é das minhas maiores virtudes, só que eu tenho tido paciência com ele, o que eu não quero é sentir-me incompreendida cada vez que falo.

Ele é tudo para mim, e apesar das coisas não tão boas de viver junto com alguém, as coisas boas superam toda e qualquer barreira – o que eu não quero é que ele fique calado, sem demontrar o que pensa quando eu estou desfeita em lágrimas ou com os olhos cheios de veias vermelhas.Só queria que ele parásse um bocadinho e pensasse nisto –  esta cena magoa-me mesmo muito, e a minha auto-estima já está a dar de si porque começo a pensar que o que eu digo é estúpido ou eu sou estúpida porque não me consigo fazer entender!

Enfim... bem, já espirrei duas vezes o que quer dizer que logo quando for ao ginásio tenho mesmo de ir à sala de vapor. Tenho de ir andando, estou atrasada para o trabalho nr2 e ainda tenho uma hora de autocarro pela frente até lá chegar!

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