Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

25
Dez06

Um almoço sem a mãe nem o Kiko...

Little Miss Sunshine

A minha ceia de natal foi super boa... Família reunida, bacalhau à mesa, conversa animada... estávamos lá todos, e mesmo o meu mano do meio resolveu aparecer pelas 23h30 para distribuir os presentes (eu sei, fizemos batotice, mas valeu a pena!)... Foi tudo na casa nova da mana, e estáva tudo mesmo muito bom! Eu, como sabem, fiz os doces quase todos, entre arroz doce, aletria, e fatias douradas, passando pelas farófias...Como estáva cansada, acabei por decidir rechear o perú só hoje de manhã, que como era pequeno, estimei para um tempo de assadura entre a hora e meia e as duas horas (não era congelado!)...

Pois bem, assim sendo, aproveitei ao máximo o desembrulhar de presentes, fizemos salita por uma horita e meia na conversa e estáva já eu com a birra do sono quando o meu pai decidiu ir para casa. A minha mãe ficou a dormir na casa da mana e do cunhadito.

Este Natal, nem me posso queixar. Tive prendas muita giras... O meu pai pagou-me a viagem de avião - foi a prenda dele, ainda me ofereceu o livro da Carolina Salgado e um outro livro sobre ficção científica, sobre hipóteses da História. Também me deu ainda um bloco de notas para trazer na mala, com régua e marcador!

 A mãe deu-me umas toalhas bordadas a bilros, e um quadradinho todo de bilros para fazer uma almofada de linho ou algodão. O meu mais que tudo deu-me um telemóvel todo XPTO, da Sony Ericsson, com um cartão da ORANGE - por isso, já sabem, o meu número vai mudar possívelmente! Infelizmente a camera do telélé está a funcionar muito mal e assim que chegar a Londres vamos ter de trocar o bicho!

A mana e o cunhadito deram um baton para pôr no telemóvel e um espelho para trazer na malinha, muita giros. O meu mano Migo e a minha cunhadita ofereceram-me um caxecol quase até aos pés, rosa e branco, muita quentiiiiiinho!!! O Kiko deu uma caixa de Ferrero Rocher (lá se vai a dieta!). A mana Paula, que veio do Norte, ofereceu-me uma agenda toda XPTO, cor de rosa (sim, porque caso não saibam, essa é a minha côr favorita depois do AZUL!).

Depois tive prenda da amiga Andreia, que é minha amiga desde os meus 10 anitos (já lá vão 18 anos de amizade, né miga!?). Ela ofereceu'me um relógio muita giro com montes de bracelletes para pôr e tirar. Também me ofereceu um fio de missangas em azul... CLARO! heheheheh

E pronto, ainda tenho de me encontrar com a minha amiga Ana para lhe dar a prendita, comprar a prenda número 2 do namorado e o Natal já foi! Agora é preparar para o meu regresso a casa, onde me espera um namorado ansioso - com o qual já tive uma discussão hoje porque me sinto a chegar a uma encruzilhada na minha vida, em que das duas uma: ou se formaliza a nossa relação e eu acabo por ficar por Inglaterra mesmo, ou então faço as malas e vou para os Estados Unidos.

Mas já me estou a desviar desta conversa... O meu intuito era escrever sobre o almoço de Natal hoje... Como sabem, a minha mãe e o meu pai vão'se divorciar. Chateia-me, não digo que não. Aliás, não acredito que filho algum de pais divorciados seja ou tenha sido indiferente à separação daqueles que o criaram supostamente e essencialmente devido ao amor que ambos nutriam um pelo outro.

Mas não me meto, porque não é do meu interesse, nem mesmo do meu direito. A minha mãe nos últimos anos em que me lembro de vivermos todos juntos aqui nesta casa, sempre detestou o estado em que a casa estáva. Nós não somos ricos, claro e nem sempre se pôde fazer intervenções na casa como deveria. Resumindo, a casa é gelada, está a precisar de portas novas em todos os quartos, precisa de ser toda raspada e pintada de novo e precisa de cozinha e casa de banhos novas.

É normal... moramos nesta casa vai para mais de 25 anos e nunca me lembro de termos feito obras valentes de raiz... Fomos sempre remedando o que estáva estragado e viviamos a nossa vidinha como se nada se tivesse passado... Pois bem, a minha mãe nesta altura não consegue passar muito tempo aqui. Está muito fria a casa. E ela também já não gosta do Barreiro. O Barreiro serviu para criar os filhos, e agora que estão criados, chegou a altura de mudar para um lar mais aconchegante e mais quente.

Não a censuro. Mas apesar de velhita, eu adoro esta casa. Apesar de fria, eu adoro esta casa. Nunca conheci mais nenhuma, e aquelas em que morei em bastante tenra idade já quase não me lembro... aliás... não me lembro de nada. Mas nunca gostei do Barreiro. As fábricas, os barulhos... o ser conhecida a cada canto e cada esquina por ser a filha do Sr. Engº... eu não era eu. E quando pude, pirei-me.

Por isso quando a minha mãe decidiu ir para a casa dela esta manhã, sem dizer nada a ninguém, eu não a critiquei. Eu entendi. Mas fiquei triste, porque vim eu de tão longe para estarmos todos juntos, fiz eu o comer com tanto amor e carinho, recheei o perú de frango para que ela também o pudesse comer, e depois no fim ela não veio...

O Kiko, o meu mano mais novo, ainda chateado com a noite passada porque provavelmente não recebeu aquilo que talvez mais quisesse, ou porque se arreliou com alguns comentários derivados de birras de sono, acabou por se trancar também no quarto e não veio almoçar. Todas a gente à mesa e nem mãe, nem mano caçula. Eu fiquei triste, pronto!

No meio de isto tudo, a verdade é que não podemos negar as nossas origens. Fazemos parte de uma unidade que nesta altura se desfez, até porque a unidade nunca foi mesmo unidade. E talvez seja essa a razão porque certas coisas acontecem... As pessoas mudam, as situações mudam, muda tudo. A vida é uma sucessão de mudanças que nem sempre queremos que aconteçam. Este ano a mudança assinalou-se pela dissolução da célula familiar e pelo início de outras células espalhadas no tempo e no espaço.

Feliz Natal, pessoal.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D