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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

26
Fev07

Um dia... na esquadra de polícia de Hatfield!

Little Miss Sunshine

O meu Domingo começou como um Domingo normal. O meu nino acordou por volta das 8 da manhã para ir para o trabalho, e entre  a higiene pessoal, vestir a farda, calçar os sapatos, e sair, acordou-me para aí umas cinquenta vezes. De saída, o beijo habitual na testa, e saiu. Pouco depois tocava a campaínha da frente, e o meu gajo, que deve de ter aberto a porta, veio-me acordar com um "honey, é a polícia, ele quer falar contigo".

Eram então umas 9 horas. A razão porque o agente da polícia apareceu à porta de minha casa NUM DOMINGO e às 9 HORAS DA MANHàé muito simples. No sábado de madrugada alguém assaltou a casa nr.7 na minha rua. Ora nessa madrugada, estava eu a preparar o meu pequeno almoço na escuridão da minha cozinha (eu nunca acendo as luzes se é muito cedo para não acordar as minhas housemates, porque o quarto delas tem uma janelinha que dá para a cozinha) quando deparo com um individuo suspeito a vir dos lados do parque de estacionamento. O gajo era mesmo muita estranho e pareceu-me suspeito porque vinha sózinho, àquela hora da madrugada, meio cambaleante, e com muito mau aspecto.

Tirei-lhe as medidas bem, porque ele passou mesmo em frente à minha janela, mas do outro lado do passeio. Fiquei ainda mais apreensiva quando o vi virar para a casa número 7 e depois baixou-se ou entrou na casa, não sei bem porque a casa tem um arbusto mesmo à entrada que me tapou a visão. Entretanto eu continuei a fazer o pequeno almoço, e pouco depois o gajo saiu disparado da casa, pensei eu que em direcção à parte de trás da minha rua... mas a minha janela não dá para ver mais para além de uns arbustos que por acaso também têm uma entrada para uns campos...

Como já estáva atrasada, não liguei mais ao caso, tomei o pequeno almoço e fui para o trabalho, que tinha de entrar às 7h. Quando saí às 16h, fui até à cantina porque o meu menino estáva a ter o intrevalo para o almoço. Foi quando ele me disse que a polícia tinha estado cá em casa, a avisar que a casa número 7 tinha sido assaltada e a perguntar também se alguém viu alguma coisa. Assim que o meu nino me disse isto eu fiquei branca. Ele perguntou-me porque é que eu estava tão chocada, e eu contei-lhe a história que se tinha passado nessa madrugada enquanto eu estáva na cozinha a preparar o meu pequeno almoço!

O meu nino ficou mesmo apreensivo e disse para eu não dizer nada, para ficar quieta. Eu compreendi a atitude dele, em me querer proteger de algo mau por me estar a expôr, mas eu tinha de fazer o que era certo. Até porque tendo visto o que eu vi, era impossível ficar calada. Um dia a minha vizinha ou vizinho poderiam ver alguma coisa e ficar calados só porque eu fiquei: é aquela coisa do Karma... um pouco de "aqui se fazem, aqui se pagam" ou "what goes around, comes around". Assim que decidi que havia de avisar a polícia, levantei-me e telefonei mesmo do trabalho a contar o que se tinha passado.

E pronto, no dia seguinte tinha um gajo todo jeitoso às 9 da manhã a bater-me à porta, com carro de polícia e tudo! Ele fez-me umas perguntas e no fim ainda me perguntou se eu estava disposta a fazer uma declaração na esquadra, ao que eu respondi que sim, claro. O rapaz lá seguiu o seu caminho e eu fui fazer o pequeno almoço, arranjar-me, enfim, o costume. Às 11h30 cheguei à esquadra, onde após uns minutos fui encaminhada para um cubiculo com uma mesa e umas quantas cadeiras, janela ampla mas opaca. Dois agentes perguntaram-me mais em detalhe descrições do sujeito que eu vi, o que é que ele fez enquanto eu o estava a observar, e eu ainda os alertei para a presença de cameras CCTV no parque de estacionamento que quase de certeza apanharam o gajo, porque ele passou mesmo por baixo delas.

Depois eles sugeriram dar uma volta e analisar o perímetro. Eu disse que sim, claro, ía lá perder a oportunidade de andar num carro de polícia!!!! Hehehehe Assim sendo, sentei-me à frente e lá lhes estive a apontar onde é que vi o gajo, eles tiraram a referência da camera CCTV, e voltámos para a esquadra. Quando voltámos para a esquadra, eles disseram-me que tinham prendido um individuo que tinha sido apanhado perto do local do roubo, mas com items de uma outra casa que também tinha sido assaltada no mesmo dia/ noite. Assim sendo, eles queriam que eu pusesse a declaração por escrito, e passei as duas horas e meia seguintes a fazer uma descrição exaustiva de tudo o que me lembrava, inclusivé motivos que me levaram a olhar pela janela naquela altura, descrição pormenorizada do gajo, sítio exacto de onde ele veio e para onde ele foi, etc, etc, etc.

Enquanto me perguntavam coisas eu ía dando as informações todas de que me lembrava, e quando não tinha a certeza, dizia logo que não me lembrava ou não sabia ou não tinha a certeza. O agente que estava comigo fez um brainstorming e daí escrevemos a minha declaração oficial, a qual foi posteriormente lida e eu assinei. Segundo me constou, a descrição correspondia à descrição do sujeito. Pouco depois das 13h30 fui escoltada até casa de pópó, por mais dois polícias bem giros (mas nessa altura cheguei à conclusão de que amo mesmo o meu namorado, porque apesar de ter achado os polícias altamente jeitosos, só pensava em voltar para casa e esperar pelo meu nino para lhe contar a minha aventura até então).

Antes de me levrem a casa porém, perguntaram-me se me importava de fazer uma identificação visual do suspeito. Lembrei-me logo do CSI e de séries policiais onde as identificações são geralmente feitas através de vidro fumado e tal... A minha cara deve ter passado uma sensação de terror, porque apesar de furto ser um crime menos grave nunca pensei que se tivesse de fazer identificações e o caraças. Eu disse-lhes que fixei o sujeito, mas não a cara, até porque estava escuro. Eles disseram-me para não ter receio, que eles íam estar comigo sempre e que a identificação seria feita por video, nove caras de nove individuos e eu teria de identificar o ladrão.

Assim sendo, eu disse que não me importava e eles agradeceram, e disseram que me ligariam quando estivesse tudo pronto e depois me daríam boleia de casa à esquadra. às 18h telefonaram-me para me dizer que estavam só a tratar da papelada legal e que haviam uns atrasos porque era fim de semana e perguntaram-me até que horas estaria disponível para me virem apanhar. Eu disse "As que forem precisas" e eles agradeceram muito, dizendo antes de desligar que me avisariam assim que mandassem o agente.

Eram umas 9h da noite quando efectivamente eles me ligaram, e pouco depois chegou o carro da polícia. Outro agente, muito giro... (possa, aquela esquadra, vai lá vai... É melhor que Marés Vivas mas em Masculino!). Assim que lá cheguei, levaram-me para o cubiculo outra vez e aí foi-me explicado o procedimento: na sala estaria um solicitador a representar a defesa, e o agente, mais eu. O agente lá pôs o DVD a trabalhar, 9 caras distintas a olhar para a frente, depois para a direita e depois para a esquerda. Vi a parada duas vezes. Depois vi o número 4 e o número 6 montes de vezes, mas vi-me consumida pela incerteza. Ao fim de algum tempo, entre pause e play, foi-me perguntado se eu reconhecia alguém.

Eu respondi: "Não tenho a certeza, sorry". Estava com a minha intuição para o gajo nr. 4, muito honestamente, só que não tinha mesmo a certeza, teria de ver o gajo em corpo inteiro porque foi a estrutura corporal que eu mais fixei... Saí de lá muito elogiada pelos agentes, todos me trataram muito bem. Tenho pena de não ter podido ser de mais ajuda, mas cumpri a minha obrigação. Pouco depois vieram-me trazer a casa, onde o meu namorado impaciente esperava por mim.

Foi um dia excitante, adorei colaborar com a polícia. Nunca pensei que polícia assim existisse, mas existe e fiquei feliz por de alguma forma ter ajudado um pouco os meus vizinhos e os agentes. 

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