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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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23
Jun16

Sobre o referendo de hoje no Reino Unido...

Little Miss Sunshine

Hoje vai-se a votos no Reino Unido para decidir se o país vai ficar (IN) ou saír (LEAVE) da União Europeia. Esta questão não é nova, desde 1973 que se vêm a realizar referendos no Reino Unido, quase todos relativos à devolução (ou não) da soberania da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. O primeiro referendo realizado a nível nacional foi em 1975, curiosamente pelas mesmas razões que as de hoje: continuar na União Europeia ou não?

 

Ao contrário do que muita gente pensa, o resultado de um referendo não tem de ser vinculativo - é geralmente um método de consulta, uma forma de avaliar a posição do eleitorado face a um dilema ou questão que é pertinente e importante para o país em questão. Independentemente dos resultados, cabe normalmente ao governo tomar a decisão do que fazer a seguir, e a história dita que o resultado de muitos referendos é geralmente favorável à agenda governativa de qualquer país. Ir contra os resultados de um referendo não é a norma, mas muitos dizem ser possível, provavelmente com custos elevados para o partido no poder. Por tudo isto se levanta a questão da seriedade do governo em propôr este referendo.

 

Que intenções estão realmente por detrás desta decisão?

 

Considerando que os níveis de popularidade do governo Tory estão em queda livre, um referendo desta magnitude vem ajudar a reafirmar a posição das elites no governo, e talvez assegurar a continuação dos Tories (conservadores) no poder. Se não há realmente nenhuma ameaça imediata à aliança do Reino Unido com a União Europeia, será então isto um braço de ferro entre ambos para que um consiga levar a bom porto os seus interesses? Mas a que custo? Dividir o país não torna uma nação forte, faz o oposto. No entanto foi isso que vimos acontecer nas campanhas opostas do 'IN' e do 'LEAVE', e no nosso dia a dia. 

 

Muita gente continua a acreditar piamente que o governo lhes deu o poder e a possibilidade de escolherem os destinos deste país, sem saberem que este poder de decisão nunca esteve verdadeiramente nas suas mãos. O poder do povo é, neste caso, uma ilusão. E de certa forma, há males que vêm por bem, porque acima de tudo este referendo serviu para demonstrar a ignorância geral do público face a assuntos como imigração, mercados livres e soberania. E nesses assuntos a ignorância prejudica o senso comum, por isso é melhor mesmo que o poder do povo não exista.

 

Quando muitos dos meus amigos expressam a sua ansiedade face aos resultados deste referendo, eu compreendo o porquê. Eu própria passei estes últimos meses a pensar nas consequências de uma vitória do 'LEAVE', no que isso significaria para mim e para as minhas filhas. Como emigrante europeia, esta situação tocou-me pessoalmente. Não interessa que tenha vivido neste país há 12 anos - a pagar impostos, a contribuir para a educação dos cidadãos deste país, a criar as minhas filhas... O direito a votar neste referendo foi-me vetado. Só votam os cidadãos Britânicos ou cidadãos de países pertencentes à Commonwealth. Deixar o meu futuro nas mãos dos outros é injusto, e uma certa forma de discriminação.

 

Mas o que mais me assusta nisto tudo não é um futuro fora da União, nem uma Europa 'reformada'. É a capacidade de manipulação das massas face a um futuro que não é ditado por elas mas sim por aqueles que estão no poder, e á facilidade com que se divide um país quando o medo e a ignorância são explorados da pior maneira.

 

 

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