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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

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17
Mar08

Saudades n' As Tardes da Júlia (TVI)!

Little Miss Sunshine
Na próxima Quinta-feira, o programa 'As tardes da Júlia' vai falar sobre saudades, e a minha voz vai ecoar via telefone a nível nacional na TV!!!  Não há termo inglês para definir esta palavra, que eu geralmente traduzo como 'missing feeling'. Mesmo assim é complicado para um inglês, ou um Indiano, ou um chinês entender o que é que saudade significa. Só quem é português (ou quem fala português) entende o que é estar saudoso.

Devido às minhas mais recentes confidências neste blog fui recentemente convidada pelo programa para falar de saudades.  Para isso, vai lá estar no estúdio a minha mãe para falar das saudades dela, e depois vou estar eu ao telefone daqui a falar das minhas saudades. Vai ser interessante, e estou super contente que tenha sido o meu Blog a causar tudo isto.

Nestes últimos três anos e meio que estive ausente de Portugal, a ir a casa só de 6 em 6 meses e ocasiões especiais, passei tantos dias triste, com saudades de casa, da família, dos cães, dos amigos, do mar... e muitas vezes, sem saber muito bem como gerir esses sentimentos, afundei-me em trabalho para não pensar em tudo aquilo que perdi ou deixei para trás...  Por tudo isso, sinto que é importante que as pessoas saibam o que é estar ausente daquilo que nos é familiar, desde a língua até à comida... E nada como usar a minha experiência nesse sentido.

Este ano não tenho tido nem tempo nem dinheiro para poder regressar como gostaria - o mestrado tira-me o tempo todo disponível para trabalhar overtime. Trabalha-se o necessário para pagar as minhas despesas, e depois o resultado reflete-se na conta bancária e na liberdade de acção - limitados.  Não fui no Natal, não vou na Páscoa... e vamos lá ver se sempre vou em Junho como tenho planeado desde o Natal...

Lutar contra estes pensamentos é uma tarefa hercúlea, é como se um buraco estivesse aberto no meu peito sem eu poder fazer nada, a não ser esperar pacientemente pela próxima oportunidade para poder voltar a casa. E a chuva cai (porque aqui é só mesmo chuva...), e eu revejo as fotos do Verão passado... E relembro o dia dos meus anos... E o sol e a praia...

Não é fácil estudar no estrangeiro. Desenganem-se aqueles que pensam que é fácil e que se podem contornar as saudades com um messenger em modo de conferência, ou com telefonemas dia sim, dia não. A realidade de estudante não permite ir a casa uma vez por mês... Mesmo que se trabalhem quase 30 horas semanais, com os estudos e a vida pessoal, é raro poder-se ir a casa senão de 6 em 6 meses.

Às vezes fazem-se jogos com as entidades patronais,  trabalham-se duas semanas numa para se poder ir de férias durante o Natal, ou a Páscoa.  E nessa semana em que se fazem quase  50 ou 60 horas, anda-se  sem energia, e sem  um sorriso nos lábios, porque não se tem tempo para nada - só mesmo para trabalhar e fazer os trabalhos de casa para a  universidade.

Quando as férias chegam, e quando o avião aterra na terra mãe, o coração enche-se de espectativa e parece que o tempo voa. Tão depressa se chega como nos vamos embora... É complicado. Se por um lado se sabe que este sacrifício de estar longe é para o nosso bem, por outro vive-se na angústia de estar distante da vida da família. Tenho muitas vezes a noção de que já não pertenço a Portugal... E ao mesmo tempo sei que não pertenço aqui também...

E então é como se vivesse num vazio entre os dois mundos. É uma luta constante entre o passado e o presente e o futuro.

Mas no fundo, no fundo, a nossa terra é a nossa terra e é lá que eu me sinto como peixe na àgua, mesmo que já não reconheça algumas ruas, ou paisagens, ou  pessoas...

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