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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

12
Set07

Comunicação Zero!

Little Miss Sunshine

O meu ânimo, apesar de torcidinho, está estável. Mantenho-me ocupada nas minhas coisas, aquelas que mais gosto de fazer, e o resto é conversa. Não é que esteja propriamente de braços cruzados à espera de uma resolução celestial, não é? Eu tenho feito o que posso para poder dar a volta por cima e se as coisas estão um pouco perras e andam para a frente muito devagarinho, então só tenho de ter calma e deixar andar...

 

Esta coisa de me irritar por tudo e por nada, só me envelhece e eu não estou para ter mais rugas na testa do que aquelas que já tenho. As coisas não estão bem, mas se me ponho a chorar nunca mais se endireitam, essa é que é essa. Infelizmente, nestes últimos tempos tenho sido eu para mim e mais nada. O mais que tudo e eu andamos a passar por uma fase muito complicada mesmo, tão complicada que ontem ele foi passar a noite ao quarto dele.

 

Como as coisas se deterioraram tão depressa é uma incógnita para mim. Claro que eu tenho alguma culpa no cartório, mas não toda a culpa como ele me faz muitas vezes crer! Ele só põe as culpas em cima de mim e recusa ver que certas acções que ele tomou e certas atitudes que ele tem para comigo têm, em parte, causado o desmoronamento daquilo que juntos construímos faz agora pouco mais de um ano.

 

Assim que chega a casa não é capaz de vir ter comigo e me dar um beijo, mesmo depois de ver que eu lhe preparei o almoço; muitas vezes vê que eu lhe preparei o almoço ou o jantar e quando eu lhe digo que o comer está pronto vira-se para mim com uma descontra do caraças e diz que vai tomar um duche rápido (que demora sempre mais de 30 minutos, e quando ele volta jé eu acabei a minha refeição, a qual comi sózinha, o comer dele está frio e eu já estou a deitar fumo pelos ouvidos e pelo nariz); muitas vezes depois de comer, diz que já vem, mas vai para o quarto dele falar ao telefone com os amigos - em línguagem ininteligível para mim - ou põe-se a jogar Wii com os vizinhos do quarto de baixo, ou mesmo sózinho, em vez de passar tempo de qualidade comigo; quando eu lhe peço para passar a tarde comigo, abraçadinhos e juntinhos, acabamos a guerrear porque ao fim de meia hora e uma série na TV já está a fumegar - isto se entretanto não recebeu 500 telefonemas durante o tempo que era suposto ser só nosso.

 

Últimamente atiramos coisas mesquinhas à cara um do outro, e eu passo o dia irritada com ele de tal maneira que nem sequer me apetece olhar-lhe para a cara durante os próximos vinte meses. Intimidade, está quieto, é que esqueçam mesmo!  - pudera, se não há comunicação como é que eu me vou sentir amada, segura, desejada? Ele passa a vida a dizer que eu isto e que eu aquilo e blá blá blá, como se já não bastasse a minha situação de desempregada e os stresses com dinheiro e CVs e os problemas de gerir esta casa também... Não me compreende, em vez disso decide recriminar-me porque eu estou sempre amuada, ou chateada - e não descansa enquanto não me magoa mesmo ao ponto de me pôr a chorar.

 

Depois deixa-me a chorar uns minutos e vem de mansinho pedir perdão. Meus amigos, eu tive um namorado que abusava de mim fisicamente e o comportamento é mais ou menos o mesmo, com a diferença de que o mais que tudo não me levanta a mão mas espezinha a minha auto-confiança. O ciclo de chantagem emocional em que a nossa relação se tornou é pouco saudável e levou-me a analisar muitas coisas - mas principalmente os meus sentimentos e os dele por mim.

 

No geral, aquilo que ele me leva a pensar, com a atitudezinha estúpida dele, é que ele não me ama - e já não me ama há muito tempo. Não faz concessões, não larga tudo por mim, não é capaz de me fazer uma vontade - por mais razoável que esta seja. No outro dia pedi-lhe para ler uma definição, pedi-lhe para o fazer por mim. Não o fez. Estávamos sózinhos, era só uma definição... E ele não foi capaz de o fazer por mim. Não era nada de mais, como por exemplo vir da India mais cedo - algo que eu também lhe pedi para fazer, mas fui razoável o suficiente para entender que era complicado, mesmo apesar de lhe ter encontrado um vôo de regresso mais cedo, mesmo depois de lhe oferecer o dinheiro para ele voltar mais cedo...

 

Prometeu que estaria à minha espera quando eu regressasse de Portugal, que não me deixaria desamparada, e eu cheguei a Londres de malas e bagagens, mas ninguém à minha espera. Uma semana, tive eu de esperar para que o menino resolvesse voltar, uma semana. E nessa semana mudou o regresso 'n' vezes: que era terça, depois já era quinta, depois já era sexta, e sábado... Tudo para regressar na terça-feira da semana seguinte...

 

Promessas, promessas, não é capaz de as cumprir. Anda a prometer um anel de noivado desde Março, todos os meses me prometia que era nesse mês, mas qualquer coisa que surgisse acabava por ser motivo suficiente para dizer que afinal só para o mês que vem... E depois, a maior mentira de todas, que seria nos meus anos... Mas não foi capaz de tratar da merda do visto com tempo suficiente. Acabou por me estragar as férias, os meus anos, e nada de anel. Que o comprou, eu sei que sim - vi a caixa. Mas agora sou eu que não quero, porque as coisas entre nós estão mais azedas que nunca e eu não quero sequer pensar num compromisso mais sério com uma pessoa que não me põe em primeiro na lista de prioridades dele, ou que diz que me ama mas é capaz de passar horas ao telefone com os amigos quando nem sequer fala comigo mais do que um minuto seguido.

 

Eu sinto-me sózinha, e cada vez que o vejo a falar ao telefone com quem quer que seja, dói-me tanto porque esse é tempo que me deveria pertencer, a mim! Era comigo que ele deveria falar, rir, era a mim que ele deveria dar atenção... E de poucas palávras a nenhuma, nesta altura nem isso temos, porque o discurso morreu desde ontem.

 

Estou tão farta de me sentir velha, sem brilho, gorda e sem interesse. Parece que ele matou a minha alegria, a minha vontade de ser mulher e de ser feliz. Estou quase com trinta e nunca tive tanto medo... medo de acabar sózinha, ou infeliz, ou a saltar de poiso a poiso... sem saber muito bem porquê. É isto que me espera? Uma vida cheia de tristeza e sem romance?

 

Porque eu passei a minha infância a planear o meu casamento, o meu romance, e de como seria o meu príncipe encantado. Lembro-me que brincava com as Barbies num faz de conta desenfreado. Estive sempre desejando encontrar o cavaleiro encantado, e tive muitos moinhos pelo meio, eu como D. Quixote, a não querer ver a verdade das coisas.

 

Hoje, começo a pensar se não será o meu medo de ficar sózinha que me submete a tanto sofrimento. As minhas dúvidas nunca fizeram tanto sentido como hoje. Se há um príncipe encantado, então onde é que ele está? Porque o meu relógio biológico grita-me na consciência todos os dias - se me liberto das correntes da minha relação, pode ser tarde demais para mim... e o príncipe encantado pode não existir para além dos meus sonhos. Afinal, isto é a realidade, a vida nua e crua.

 

Não tenho coragem para fugir disto, para terminar isto, para dizer CHEGA!

 

...quem diria, que depois de tudo o que passei, a coragem um dia me abandonaria. Mas deixem-me arranjar emprego - e depois falamos.

11
Set07

Inglaterra, Inglaterra! Onde está a minha oportunidade?

Little Miss Sunshine

Quando vim para a Inglaterra estudar, pensei que estáva a caminho de 1001 oportunidades - e elas até foram aparecendo numa série de coisas na minha vida. Confesso que deixar tudo para trás e seguir para um país novo para mim não foi plano que tive de infância, foi mais o desenrolar dos acontecimentos que me empurraram para tal. Sim, a minha mãe sempre me passou a facilidade da língua (foi professora de Inglês), sim o meu pai sempre me passou a vontade de viajar e conhecer outros mundos que não o meu cantinho à beira-mar plantado.

 

Não decidi mudar de vida porque a minha vida em Portugal era uma desgraça, como acontece a tantos que pensam deixar o país por falta de condições de trabalho ou de vida. Por acaso eu estáva muito bem lançada na minha carreira, estava num emprego que me realizava pessoal e profissionalmente, era bem paga, tinha um carro, casa (mesmo que fosse a casa dos papás), roupa lavada. Eu não podia pedir mais, porque no geral, eu tinha tudo mesmo.

 

Mas o destino tem destas coisas, e impulsionada pela oportunidade que surgiu no horizonte (e em parte motivada pelo facto de poder vir a ter um curso superior, algo que deixei a meio para ingressar no mundo do trabalho), resolvi tentar. Porque não se perde nada em tentar, não é? Aliás, se não tentarmos, nunca saberemos como vai ser e eu já tive oportunidade de expressar tantas vezes que não sou pessoa de 'what ifs' ou, em português, ' e ses'!

 

Mais vale seguir o ritmo da vida, ou do destino ou lá daquilo que lhe quiserem chamar. Não foi fácil. Mas também não foi difícil. Tudo se compôs ao fim do segundo mês, e a partir do momento em que comecei a entrar na rotina e na vida inglesa, parecia mesmo às vezes que eu nunca tinha tido vida alguma em Portugal...

 

Mas apegada às minhas raízes, fui sempre marcando o ponto nas ocasiões especiais, e fui sendo sempre informada dos acontecimentos por terras lusas, mas essencialmente, pelo círculo familiar. Ainda hoje o SAPO.PT é o meu ponto de passagem obrigatório... Hoje em dia o messenger também ajuda a amenizar as distâncias com as conversas em conferência, os telefonemas ainda são carotes para poderem ser feitos todos os dias e vai-se vivendo um dia após o outro, com fé de que a conta à ordem suba mais umas librazinhas semana a semana, mês a mês.

 

O pior foi quando acabei o curso. De repente toda a minha luta tinha acabado tão depressa como começou, pois um objectivo principal foi alcançado! Como se me tivessem tirado o tapete debaixo dos pés, vi-me de repente com uma catrefada de escolhas para fazer: Mestrado? Trabalho? Se estudo estou isenta de pagar a contribuição autárquica - são £ 750 por semestre, mais renda mensal, mais a catrefada de despesas para a comida, produtos de higiene, etc... Claro que tenho de pagar o mestrado, e os livros, e os cadernos, etc, etc, etc... Trabalhar, no entanto, e apesar de trazer algumas despesas, acaba por ser a ponte para a família, a casa própria, o carro na entrada, e um jardim nas traseiras. E eu estou prestes a entrar nos 30, começo a sentir necessidade de ter um espaço só meu sem as tropelias de morar numa casa partilhada com mais quatro ou cinco indivíduos...

 

Se por um lado estou segura de que fazer o Mestrado foi a melhor solução no momento, por outro o mesmo parece que está embruxado porque desde que comecei a fazer os preparativos para o mesmo já se perderam documentos, já houveram mil e uma brigas entre mim e o mais que tudo, e a oferta condicional ainda se mantém a duas semanas de começar as aulas porque o proessor responsável por aprovar incondicionalmente as ofertas académicas está ausente por doença...

 

E eu, que feita parva, rejeitei um emprego na LEGO, porque era longe e eu não podia trabalhar full-time, com esta história do Mestrado. Um emprego feito à minha medida mas que implicaria mudar-me para mais perto de Londres (senão para o centro mesmo), e dedicar-me inteiramente ao mesmo... Mas não deu, porque escolhi fazer o mestrado! E desde que escolhi fazer o Mestrado, chovem empregos full-time de todos os cantos de Londres, propondo mil e um benefícios, mas também chovem problemas...

 

Ninguém aqui nas redondezas me contrata em regime de part-time porque:

 

1) Não sei os horários do meu mestrado ainda, só na última semana do mês se entretanto receber o raio da oferta incondicional!

 

2) Tenho demasiadas qualificações para uma mera assistente de loja, e para ser mais do que isso teria de estar disponível a full-time - e isto aplica-se a agências de emprego também.

 

Por isso ando eu aqui a queimar as pestanas ( ou em vias disso) numa pós-graduação e ninguém se digna a contratar-me, mais que não seja porque eu PRECISO! E o resto vocês já sabem: falta de motivação porque ninguém me liga, ando aborrecida como tudo, cansada porque só dou com os burros na àgua, já fui ao meu emprego anterior e tudo pedir que encarecidamente me recebam de volta (uma vez que o gerente parvo entretanto transferiu-se para bem longe), e nada. NADA!

 

O meu gajo farta-se de trabalhar, e eu também, mas enquanto que ele é pago à hora, eu não tenho quem me pague, uma vez que o meu trabalho estes dias é saír de casa de manhã com uma catrefada de CVs e chegar a casa à noite com o mínimo de CVs possível - isto enquanto não começar o Mestrado!

 

Juro que não percebo isto! O meu Mestrado é em Marketing, certas companhias poderiam até interessar-se por mim e dar-me um emprego assim assim, até eu acabar o Mestrado e depois podiam até usar-me nos quadros deles - isso acontece! Não é que eu lhes esteja a pedir que me paguem o Mestrado...

 

Sortudos aqueles que só têm de se preocupar com o trabalhito deles, e disse.

10
Set07

...

Little Miss Sunshine

O meu dia está super aborrecido. Passei a maior parte do tempo a mandar CVs e a ir a lojas entregar CVs, mas começo a perder a esperança de algo bom se começar a desenhar no horizonte a esse respeito. Entretanto o gajo apareceu-me em casa com uma guitarra acústica e um amplificador, palhetas, cordas e um afinador de guitarra electrónico.

 

Fiquei de boca aberta, porque ele me tinha dito que queria aprender, mas nunca pensei que chegasse a tanto. E pronto, passei uma horita a recordar os acordes que apendi quando tinha 18 aninhos. Ainda me vou lembrando de umas coisas, mas vou ter de aprender decentemente como tocar guitarra, pois agora com esta em casa não há desculpa!

 

E pronto, sou eu na penúria e o gajo - porque anda a trabalhar que nem mouro - a espalhafatar as librazitas dele.

 

Esta cena do trabalho até que me anda a deitar um bocado abaixo. Não entendo porque raio não me dão uma bodega de uma coisa qualquer, é que nem no MacDonalds, é mesmo muito triste... Ando para aqui que nem barata tonta, a gastar guito como tudo para ir até às cidades vizinhas entregar CVs, e ando nisto há quase 3 semanas, para só ter tido duas entrevistas, as quais nem sequer foram bem sucedidas (pelo menos ninguém me telefonou ainda)...

 

Chego ao fim do dia cansada e frustrada, e a minha relação com o mais que tudo está obviamente a sofrer com isto tudo, mais até porque ele pode comprar montes de coisas, e eu não posso comprar nada se quero ter dinheiro para pagar a renda o mês que vem! Eu sei que ele me diz todos os dias que o dinheiro dele é o meu dinheiro, mas tenho montes de medo que ele ande a gastar mais do que deve por minha causa, e -pior ainda - a gastar do dinheiro dele para pagar o mestrado. Eu nem sequer quero falar disso...

 

Os gajos ainda não me mandaram a carta a pedir para ir pagar as propinas, e eu já me ando a passar porque como mudei de morada o mais certo é a carta ter ido para outro lugar. Mais, tenho um mês para me inscrever para a cerimónia de graduação, a qual vai ser no dia 22 de Novembro às 19 horas e só o preço para alugar o robe especial é um balurdio...

 

O gajo já me disse que quer que eu vá receber o diploma na cerimónia, mas eu prefiro que me o mandem para casa. Ando tão chateada com esta cena de não ter trabalho que nem tenho preferências para mais nada...

 

Bolas, que aborrecimento!

09
Set07

'Atonement' (Expiação)

Little Miss Sunshine

 Hoje fui ver...

 

'ATONEMENT'

Direcção de Joe Wright

 

 

 

 

Baseado no best-seller do escritor britânico Ian McEwan, "Atonement" é um filme complexo, que aborda inúmeros temas, do poder da criatividade aos horrores da Segunda Guerra, mas o maior tema retratado é, sem dúvida, o sentimento de culpa, o arrependimento e a necessidade de expiação. Este filme é uma adaptação quase fiel do livro, e é o segundo filme dirigido por Joe Wright.

 

Com direito a comparação directa com 'Pearl Harbour' e 'Memphis Belle', este filme torna-se ainda mais profuso de sentido por se tratar de um filme embebido de uma visão tipicamente Britânica, que tanto tem cenas com picos a puxar o cómico-sarcástico, como cenas com um grau de dramátismo que chegam a ser, por vezes, surpreendentemente perturbadoras.

 

Um 'Devdas' ocidental, sem dúvida - que muito surpreendeu, não só pelos simbologismos visuais, fotografia e banda sonora; mas também pela concepção original de um ideal de amor e romance que é raramente (se é que foi alguma vez)  explorada pela indústria cinematográfica Europeia e Americana. Com este filme,  ousou-se ir contra o típico estereotipo de final feliz, e enfatizou-se a necessidade de explorar novos contextos cinematográficos.

 

Joe Wright já tinha estreado em 2005 com bastante sucesso  "Orgulho e Preconceito", outra transposição literária, dessa vez um clássico de Jane Austen. Não me espanta, portanto, a mestria com que este filme se conjuga em sintonia perfeita entre fantasia e realidade. A banda sonora e o elenco, bem como a adaptação quase genuina do livro torna este filme num importante marco cinematográfico, revelando-se, até ao momento, como um dos candidatos favoritos aos Óscars 2008!

 

Se o filme passar nos cinemas em Portugal na mesma altura que está previsto passar nos cinemas de 'nuestros hermanos', só lá para Janeiro, 2008 é que poderão ter acesso a esta obra de arte.

 

"Atonement"  é  protagonizado pela actriz Keira Knightley, à qual se juntaram James McAvoy e Vanessa Redgrave.

 

FICHA TÉCNICA

 

 

 

 

Director: Joe Wright

Writer: Christopher Hampton,

Stars: Keira Knightley, James McAvoy, Romola Garai, Saoirse Ronan

Genre: Drama, Romance, War

Length: 122 minutes

Cinema: 07 September 2007

Country: UK / USA

 

08
Set07

Parabéns Mana!

Little Miss Sunshine

 

Hoje a mana faz anos. 28 anos, para ser mais precisa. O namorado levou-me a passear até Wembley, e a mana antecipou-se a receber os parabéns. Como? Bem, eu ía ligar-lhe quando chegasse a casa e tal, porque ligar depois das 18h é mais baratuxo e podia ficar um bocadinho ao telefone com ela... Mas a mana, impaciente, decidiu ligar-me à hora de almoço!

 

Mas calhou mesmo bem que tivesse ligado, porque o Sidd aproveitou para lhe desejar um feliz aniversário. E em jeito de pedido de desculpa por não ter dito nada até à hora de almoço... Aqui ficam publicamente desejados os parabéns à bébé, que foi curtir hoje à noite para a Festa do AVANTE! Fez ela senão bem. Eu, por aqui, vou recolher-me para a caminha, ver as minhas sitcoms favoritas e curtir o fim de semana.

 

De trabalho, ainda nada... Mas eu continuo a distribuir CVs...

07
Set07

Emoções Fortes!

Little Miss Sunshine

Não sei se vos tinha falado, mas quando morei naquela casa de transição, vivi com duas manas indianas (aliás, foram elas que trataram da Daisy enquanto eu estive de férias este Agosto). Uma dessas irmãs está grávida e chegou ao Reino Unido em Julho, com uma mão à frente e outra atrás, e uma gravidez  praticamente a mais de meio. O marido e o filho pequeno ficaram pelas Indias, virão obviamente mais tarde quando ela estiver já mais estabelecida por estes lados. 

 

De complicação em complicação lá nos aproximámos, porque eu tenho - segundo consta entre amigos e namorado - o dom da palavra e do conhecimento. Eu pessoalmente chamo-lhe o poder de argumentação (porque quando eu estou certa, eu estou certa, e ai de quem disser o contrário!!!). Enfim, após tropelias mil ( e 'N' cartas de reclamação para entidades competentes) a verdade é que ela me tem grande confiança e mal ou bem eu lhe tenho tirado as pedras do caminho uma a uma.

 

Hoje, tive a recompensa! Escarrapachado numa ecografia, estáva um bebé perfeitinho, dedinhos abertos como que a dizer: 'Estou aqui!' Depois, num sonograma, ouvimos o coraçãozinho a bater, e até me vieram as lágrimas aos olhos!!! Hoje fui a primeira de todos a saber o sexo do bebé dela! E vim para casa com o meu coração mais leve, porque descobri também que ela não vai ter de pagar os custos do parto, os quais ascenderiam a £ 2000! Tudo isto durante uma manhã que foi das melhores manhãs da minha vida.

 

E dentro de mim, nasceu uma vontade enorme de ser mamã, até porque para onde quer que me vire só esbarro com grávidas! E bem grávidas! Mas nesta altura, o meu desafio fica-se pelo lado académico mesmo, até porque ter filhotes só mesmo depois de casada. Chamem-me antiquada, chamem-me o que quiserem, mas sempre disse que filhos só depois do casamento...

 

Enfim, a verdade é que hoje o meu dia foi emocionante e para acabar em beleza, uma das minhas amigas mais próximas daqui (e colega da universidade) recorreu da nota final dela (um 2:2), e hoje recebeu por carta o resultado. Subiram-lhe a média para um 2:1!!!! 

 

Este dia seria 100% perfeito se eu tivesse arranjado um emprego... Mas resultados nesse campo ainda nada! Mas eu sou paciente!  

06
Set07

Hoje estou t'iste...

Little Miss Sunshine

A minha gata desapareceu há umas horitas, e parece que nada corre como espero. Mas estou triste essencialmente porque sinto que as coisas entre mim e o mais que tudo estão a agudizar-se, no sentido em que já quase não conseguimos dialogar sem eu me apetecer atirar-lhe com uma panela à cabeça.

 

Sempre achei que amar algém tinha o seu 'quê' de bom, e até tem, mas nesta altura - talvez por me sentir financeiramente dependente dele - a minha raiva tem crescido à medida que o ego dele também cresce. Ultimamente parece que não temos mesmo paciência um para o outro. Ele diz mata e eu digo esfola, não sintonizamos o mesmo canal há já algum tempo.

 

Não sei se será por termos culturas diferentes, mas eu odeio quando me condicionam, e agora deu-lhe para fazer cenas de ciúmes, o que é ainda mais enraivecedor. Se antes pouco ou nada se importava com o que os outros pensavam, hoje parece que tomou um banho de preocupação, e tudo à volta dele é motivo suficiente para me criticar e me limitar como pessoa.

 

Talvez ele não esteja a fazer isso de propósito, mas eu não lhe dou nenhumazinha razão, nenhuma, para ele fazer cenas ou, pior ainda, me mandar calar ou se sentir humilhado frente aos outros. Eu não o trato mal, e se lhe chamo à atenção algo que ele fez errado, e se há plateia, 'Jasuz'! Cai o Carmo e a Trindade!

 

Não é justo, pá... Não é! Nesta altura, em que eu me sinto mais vulnerável, mas também de mãos atadas porque não tenho ganha pão, parece que ele gosta de me atirar à cara o quão insuficiente eu posso ser, e não há um dia em que vou para a cama sem estar cheia de raiva e de ódio dele. Se ainda me toca, pouco ou nada sobra de intimidade e resta-lhe muitas vezes um abraço e um frio desejo de boa noite.

 

Porque lá porque eu perdoo, não quer dizer que esqueça: a falta de tempo para tratar do visto, a minha ida para Portugal sózinha, a minha passagem de anos sózinha, a minha chegada a Londres sem ele à minha espera, a semana que passei de angústia, nervos, choro convulsivo e greve de fome só porque ele não cumpriu o prometido e não veio no mesmo dia que eu para o Reino Unido... Nem foi capaz de ler uma definição importante para mim, estávamos os dois no quarto sózinhos e eu pedir-lhe que o fizesse por mim... Não fez...

 

Porque é que devo acreditar que as coisas vão melhorar no futuro, se nesta altura do campeonato as coisas são já como são? Começo a perder a fé no amor...

 

05
Set07

Será que é pedir muito?

Little Miss Sunshine

Começam os conflitos com os dois mais recentes housemates, o casal de Qatar. Ontem, cheguei a casa depois de uma sessão de cinema animada (fui ver o 'Knocked Up' e vale a pena!), para dar de caras com as janelas da cozinha escancaradas às 11h da noite!

 

Sapatos no meio do corredor, a pedir mesmo um tropeção e uma queda junto às escadas; potes de sabão e de gel para as mãos espalhados pela janela da casa de banho onde eu ponho o espelho gigante quando estou a tomar banho; sanita com o tampo para cima e potes espalhados à volta da mesma para uma higiene pessoal que eu prefiro que ou não exista de todo ou se transfira para a zona da casa de banho, numa ala diferente da casa (tendo em conta que na toilet room, o chão é alcatifado e na bathroom o chão é de oleado - e não é agradável saber que limpezas de cú se processam por cima de uma alcatifa com esses tais potes); fogão forrado a papel de alumínio, quase que a pedir um incêndio e a motivar a preguiça de não ter de limpar o fogão todos os dias!

 

Chegaram nem há uma semana e já tomaram conta da casa! Mas que merda é esta? Eu, que pago com o meu namorado cerca de 50% da renda desta casa, estou incumbida de responsabilidades pelo senhorio, acreditem, estou já a bufar pelo nariz. Esta merda vai ter de acabar. Ontem foi a gota de àgua.

 

É que me estragou a noite. Dormi mal e porcamente, acabei de acordar cheia de tonturas e com a cabeça pesada de ter adormecido a chorar - senti-me a perder o control daquilo que se passa nesta casa. E o sentimento de culpa a carcomer-me a alma, porque eu é que meti estes gajos cá em casa - o meu mais que tudo não quis que eles para cá viessem, mas eu com a mania das tolerâncias... - eu deveria ter-lhe dado ouvidos, mas como sempre, não o fiz e agora tenho de me aguentar à bronca que vai ser a reunião de Domingo com o pessoal todo.

 

Os miúdos que moram no quarto em baixo do meu são um mimo. Asseados, limpos, não piam. E vêm estes do nada e sem mais nem menos tomam conta da casa? Não, não... Regras são regras e as zonas comuns devem de ter o mínimo de conotação individual. Isso fica para os quartos de cada um. Há espaço mais que suficiente para isso no espaço individual de cada um. Não me veêm a deixar as minhas merdas espalhadas pela casa, pois não?

 

Nem loiça, nem nada! Não vou admitir isto. E muito sinceramente, se isto continua, vou ter de os convidar a saír da casa, porque o que mais aí há é pessoas a precisarem de um quarto!

 

Estou furiosa!

04
Set07

Um dia vazio...

Little Miss Sunshine

Estou farta de estar sem trabalho. Como diz a Aragana, e com muita razão, 'Esta merda de não ter emprego dá-me a volta a mioleira.' Eu não definiria esta minha situação actual tão bem! E depois, não é só o stress de não ter um horário para seguir... É o stress de arranjar mil e uma coisas para fazer só para não pensar na minha situação. E os problemas, que aparecem sem avisar, as chatices que se multiplicam, porque não fazemos mais nada e temos de arranjar desculpas para nos manter ocupadas - enfim, parece que é um nunca acabar de preocupações!

 

Odeio estar sem trabalho, mas depois quando tenho um emprego estou sempre a falar mal: ou o patrão que é uma chaga, ou a pressão que os clientes da loja adoram incutir em nós, meros empregados, ou as chefias que não querem sabem do bem estar dos seus empregados, ou a cusquice entre empregados, e a 'bitchisse', e o ordenado que é uma merda... Bolas, até tenho saudades desses tempos. Mas enquanto os tive, odiava esses tempos. Será que não vai haver meio termo?

 

Agora estou para aqui, sózinha... O meu mais que tudo anda a trabalhar horas extraordinárias para poder dar conta das despesas das contas, tive de pedir ajuda à entidade paternal, e assim não dá. Honestamente, sonho em ter uma casa minha, uma família minha, um espaço só meu. A contagem decrescente para os 30 já começou e apesar de saber que estou a investir na minha educação - e consequentemente no meu futuro - que raio de futuro vou eu ter?

 

Sem trabalho fixo desde os 20, com experiências profissionais internacionais pelo meio, quando chegar a velha vou ter uma linda reforma - ai vou, vou! (Ironia).  Mesmo depois de acabar o meu mestrado, estou com 30 anos - e que idade é essa para começar uma carreiro no mundo dos negócios? Toda a gente começa aos 23/25 anos, eu estou com 5 anos de atraso... E o meu ritmo de aprendizagem já não é o que era, porque eu sempre me vangloriei da rapidez com que aprendia novas tarefas e ainda no outro dia me diseeram que eu sou aparentemente 'lenta' no meu processo de aprendizagem.

 

Opá, também não me espanta nada, porque para ser motivada, aprender rápido e tudo o mais é preciso GOSTAR daquilo que se está a fazer. As minhas motivações são puramente monetárias neste momento. Que raio me vão ensinar mais em serviço de apoio ao cliente em retalho? Eu quero fazer mais do que retalho. Quero trabalhar num escritório, ter uma secretária só para mim, trabalhar ao meu ritmo sem ter um gajo a dizer que não é assim, é assado, que estou fora de prazo ou que tenho de ficar a fazer horas extraordinárias  porque as coisas não estão em condições para o dia seguinte!!!!

 

Sonhos... Porque se alguma vez chegar a esse ideal de emprego, das duas uma - ou vou estar demasiado velha para tirar algum gozo ou proveito disso; ou simplesmente não chego a esse ponto, fico-me pelo meio.

 

Independentemente daquilo que possa acontecer no futuro, nesta alture tenho a braços uma tarefa, que é o meu mestrado em Marketing. O resto depois logo se vê, porque também não quero assentar arraiais aqui, quero abrir as asas e voar para um lado onde sei que poderei levar uma vida feliz e longe de aguaceiros...

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