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E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

E o céu azul brilhará...

Diário de uma académica portuguesa em Londres

26
Dez09

Um Natal cheio de desafios...

Little Miss Sunshine

Este Natal foi muito complicado para mim... No dia 22 de Dezembro descobri que estáva grávida. Eu não acreditei muito, estáva meio em choque mesmo, mas a minha família estáva feliz da vida. Eu olhei para os testes à minha frente umas quinhentas vezes, incrédula, porque apesar de querer muito ser mãe, aqueles testes positivos foram MESMO uma grande surpresa.  Sempre achei que tinha um problema de fertilidade, e aqueles testes vieram comprovar que os problemas eram todos da minha cabeça... Nos dias que se seguiram, a minha família estáva super feliz, e até a minha mãe me comprou umas pantufinhas pequeninas na Casa Xangai.

 

No fim do dia 24, tudo se desmoronou. Como se não bastasse ter apanhado uma intoxicação alimentar, que me levou a vomitar sem fim nessa madrugada, entre  as cólicas e corridas para a casa de banho, o meu periodo também me apareceu com as suas dores típicas.  É inequívoco: se realmente estive grávida, então agora já não estou mais. Todos os sintomas de gravidez que eu tinha também desapareceram, e tive de dar a má notícia ao Mr Brazil, o que me cortou o coração. 

 

O almoço de Natal passei-o na cama, a dormir e a beber àgua. Nem me conseguia mexer porque só isso gerava dores de cabeça e cólicas insuportáveis. Senti-me tão bébé... Há mais de 15 anos que não passáva por semelhante coisa...

 

Nesta altura estou ainda a convalescer da intoxicação alimentar. Depois de andar 24h a àgua e Redrate, tomei hoje um Ultra-Levure e já me aventurei nos iogurtes Activia naturais e sopa knorr com arroz. A acompanhar sempre com chá de camomila e muita àgua...Tenho uma enxaqueca daqui à China, e volta e meia ainda tenho de ir a correr para a casa de banho. O meu pai foi-me buscar comida para bébé e àgua das pedras para ver se restabeleço as minhas energias, já que amanhã vou viajar para o Brasil.

 

Têm sido uns dias difíceis, mas pelo menos tenho como comforto saber que vou ver o meu noivo em breve... e eu bem preciso de um carinho dele.


Espero que tenham tido um bom Natal, e tenham todos uma boa passagem de ano.

 

18
Dez09

Menos dois...!

Little Miss Sunshine

Ontem à noite nevou como se não houvesse amanhã... Só para terem uma noção do frio por estes lados, são 10h30 da manhã e estão -2ºC!! Está tudo branquinho em todo o lado, as escolas estão fechadas, a universidade também, e eu fiquei em casa. Ainda estou a recuperar da minha garganta, e não quero ficar pior!

 

Era para ir a Londres, para ir buscar umas últimas coisas para levar para o meu noivo, mas não me parece que consiga ir. As redes de transporte estão todas restringidas a serviços minimos, e ainda se prevê mais neve para o fim da tarde. Este é o primeiro ano desde que eu aqui moro (e já moro aqui há mais de 5 anos) em que neva durante Dezembro - normalmente a neve só vem lá para Fevereiro. Os Britânicos até fazem apostas para ver se neva no Natal, e acho que este ano estão com sorte!

 

E por falar em sorte, os documentos do Brasil chegaram ontem. Quando voltei a casa do trabalho, estavam à minha espera. Agora só falta aparecer a carta com a minha certidão de nascimento para podermos marcar as coisas como deve de ser. De qualquer forma, mandei um e-mail extenso ao cartório onde planeamos casar, com uma série de leis, porque disseram ao meu noivo que a procuração não é válida devido a uma cláusula de mudança de nome que já não se aplica na lei Brasileira.

 

Quando o meu noivo me disse isso, fiquei de coração partido, porque pagámos um bom dinheiro para fazer o raio da procuração, mais correrias entre notário e Consulado Brasileiro, e agora não a querem aceitar??!! Ah não!!  Lá fui investigar, e encontrei no código civil Brasileiro um artigo que é bem capaz de nos salvar a vida... E agora estou à espera da resposta deles...

 

Pedi também que as proclamas (editais) fossem dispensadas por motivo de urgência , algo também previsto na lei Brasileira. A lei Brasileira não especifica a urgência per se, o que quer dizer que vai depender da benevolência do juíz  aceitar a minha urgência como válida...e eu tenho esperança de que haja um pouco de compaixão por parte deles, considerando que já vai ser bem difícil viver sem o meu noivo durante os dois meses que seguem ao casamento... (Man! Eu devia ter sido advogada...!)

 

Nesta altura estou a torcer para que o nosso casamento ainda se realize enquanto eu estiver no Brasil...! É tudo o que eu quero.

 

O resto é história!

 

Vou ver se me aqueço, porque tenho o aquecimento no máximo, mas a casa está um gelo...!

 

 

12
Dez07

Impávida e serena...

Little Miss Sunshine
Última semana de aulas. Como manda a praxe, não ponho lá os pés - nas aulas, porque fui à uni entregar lembrançazinhas de Natal a duas das minhas amigas, uns chocolatinhos minusculos porque isto não dá para mais. Ando mal de massas, toda a gente sabe, e este Natal vai ser a contar o tostãozinho no fundo da carteira.

Anyway - passa à frente que farta de me ouvirem devem estar vocês, gira o disco e toca o mesmo! - a carta de despejo para o casal do lado ainda não chegou e hoje já tenho uma futura housemate em linha. Vai no segundo curso superior, é inglesa mas arrumadinha e parece que paga as contas a tempo e horas (pelo menos é o que ela diz).

Não me parece que faça ondas como o casalito do lado, o que para mim já é muito bom e se for asseada, melhor ainda.

Para a semana, três dias de trabalho, e sem aulas isto vai ser bonito. O rapaz vai trabalhar a semana inteira para ver se começamos bem o ano, e eu vou ver se ponho os trabalhos da universidade em dia. Com três trabalhos e um teste, Janeiro avizinha-se ser um mês de alguma inquietação e muito trabalho.

Mas depois vêm as férias do semestre e eu queria ver se ía a casa nessa altura. Ando mesmo com saudades de casa. Ando tão  mal, tão mal, tão mal, que ontem me deu para ir ao 'YOU TUBE' ver videos sobre o Barreiro, a minha terrinha.

Com a aproximação do Natal, imagino que deva estar tudo decorado com luzes nas avenidas principais, e aquele cheirinho tão peculiar no meu bairro por esta altura, uma vez que o pessoal acende as lareiras para receber a família que vem juntar-se à mesa numa ceia tradicionalmente farta. (suspiro)

Não é justo. Este Natal vai ser dos mais tristes para mim. Ando desanimada. Montei a àrvore de Natal e comprei caixas de chocolates a £1 cada só para poder ter prendinhas debaixo da àrvore. Pus luzinhas nas janelas só para me lembrar daqueles tempos em que o Natal em minha casa era barulhento, trabalhoso mas feliz. Lembro-me daqueles dias de véspera em que eu acordava cedinho para fazer as fatias douradas, ou as filhóses à moda do Porto, a aletria e o arroz doce...

O meu pai e a minha mãe íam cedinho no dia 24 buscar à pastelaria as azevias - que por serem muito trabalhosas não se faziam em casa - e os coscorões, e o tronco de Natal. Estendiamos os doces na mesa da sala de estar, que era também a sala de jantar já que a sala de jantar propriamente dita tinha sido convertida em escritório/ biblioteca.

O bacalhau começava a cozer lá para as seis. A família chegava entretanto quase sempre por essa hora - altura em que a mesa já estáva devidamente posta, e a lareira crepitava lançando bafos quentes para dentro daquele espaço, que cheio de gente animada dava uma outra luz à casa.

Olhando para trás, posso dizer que os meus Natais foram sempre especiais. Uns anos mais que outros, o meu espírito de Natal sobrevivia de contentamento e hoje questiono muitas vezes se os meus filhos um dia terão essa mesma sorte. O Sidd não entende o Natal como eu, que o vivi a vida inteira. Para ele o Diwali tem o mesmo significado, mas as tradições são diferentes e os sentimentos raramente se misturam.

O meu Natal podia ser pior. Apesar de estar a passar por algumas adversidades, a verdadeé que neste Natal não vou ficar sózinha. Posso não ter a família toda à minha volta, os cães a correr entre as minhas pernas e a gata a miar sorrateiramente à janela, mas pelo menos tenho o Sid e tenho a Daisy. E vou tentar arranjar bacalhau, mesmo que pouco, só para poder ter o gostinho de voltar a casa - nem que seja só na imaginação...

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